Nos 75 anos do fim da II guerra mundial

COMO FOI POSSÍVEL?

Como foi possível que, depois da tragédia que foi a I Guerra Mundial, finda a qual se dizia que nunca mais iria acontecer… tivesse acontecido a II Guerra Mundial, ainda mais mortífera?… Embora ainda continue por determinar, terão sido entre 70 a 80 milhões de vítimas, na Europa e na Ásia…. mais de 50 milhões foram civis. Isto para além dos feridos, dos estropiados, de todas as consequências brutais para a vida das pessoas, das comunidades e dos países.

No dia em que passam 75 anos sobre a capitulação da Alemanha, pondo fim à loucura que deformou a face do mundo, da forma mais brutal possível, continua a ser pertinente esta pergunta: Como foi possível?… Como se não tivesse bastado a evidência destruidora da I Guerra Mundial (1914-1918) foi de novo a nação alemã, berço de tantos notáveis, em tão diversas áreas, do pensamento, da investigação à técnica, à inovação… como foi possível terem-se deixado arregimentar pelas ideias loucas de domínio do Mundo, corporizadas na pessoa de Hitler, porém existentes também nas cabeças de outros nazis, e atravessando largas camadas, incluindo gente da mais alta sociedade, da classe média, intelectuais e tantos, tantos das classes mais desfavorecidas, todos manipulados, rumo à tragédia, que haveria de semear o horror, a morte, a destruição das vidas e até da esperança…

Sempre que penso nas guerras (nas que fazem parte da História da Humanidade, mas também nas que continuam a acontecer por aí, um pouco por todo o mundo, mais localizadas, com outros loucos no comando, uns actuando nos territórios dos seus países, outros intrometendo-se na vida interna de outros países) vem-me sempre a ideia de que os cidadãos continuam muito vulneráveis, incapazes de contrariar esta tendência para o confronto armado, destrutivo, posto em acção pelos seus governantes, como se não houvesse outras saídas, daí decidir-se o confronto, a aniquilação do Outro, a destruição da sua vida e da sua circunstância.

Nós, pais e avós, mulheres e homens que já vivemos o suficiente para condenar esta via (pois que, pela vivência e/ou pelo estudo, a História nos devolve tremendas lições, através de testemunhos, imagens, conclusões e balanços de tão terríveis acontecimentos) que fazemos nós, no nosso dia-a-dia, para ensinar, ou seja, mostrar, dar a ver às crianças, desde a mais tenra idade (pelas vias e meios pedagógicos mais adequados, consoante a idade, na família como na escola) esta necessidade urgente da relação com os Outros, começando pela relação interpessoal, mas para a concórdia (sem unanimidades, é claro) para a convivência de respeito das ideias do Outro (entre pessoas, comunidades, povos…) portanto sem a visão, a converter-se em prática, da derrota do Outro, da eliminação do Outro, até ao mais elevado grau de destruição que esse furor destrutivo pode levar?…

Não começará em casa, e na escola, a possibilidade de conferirmos aos nossos filhos e netos a capacidade de valorizarem ideias de relações de compreensão dos Outros, das suas pessoas, ideias, culturas… em vez de aplanarmos o caminho (dos nossos filhos e netos) para acolherem, como banais, naturais, os comportamentos de competição, de necessidade de destruir (o Outro, ou seja o que for) independentemente do que vier a seguir?…

Quando educamos para a guerra, educamos para quê? Para a destruição, para a morte, certamente, por mais cândidos que sejam os argumentos.

A banalização da violência a que assistimos, que tem lugar em casa (violência doméstica, sobre adultos e crianças) como nos jogos que hoje se dão a ver às crianças, por todos os meios que as novas tecnologias e redes sociais permitem, assim como as simples pistolas “de brincar” e outras barbaridades que por aí continuam, são um contributo para que cresçam acolhedores de novas barbáries, como foram as duas grandes guerras mundiais, ou outras semelhantes.

Ao pensar na guerra, em qualquer guerra (tenhamos estado ou não em cenários desses) a nossa mente e o nosso coração só deverão estar inclinados para a PAZ. Para sermos militantes da PAZ. Contra todos os loucos do Mundo, que eles continuam por aí. E alguns voltaram a ter o poder nas mãos, o que é um mau sinal.

(Pensamentos recorrentes, em tempos de memórias das guerras: aquelas de que soube, pela História da Humanidade, e aquela de que soube por experiência própria – a Guerra Colonial).

Manuel João Sá

Berlim
1945. Berlim. O regresso depois da brutal catástrofe humana, provocada por Hitler e seus seguidores.

Autor: 60emais

Português.

Um pensamento em “Nos 75 anos do fim da II guerra mundial”

  1. Boa noite. Amigo Sá. Tenho o computador avariado. Talvez 2″-feira, possa responder a esta questão e outras. Obg. Abraço. (A responder pelo tlm)

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