Portugal 3 – Suíça 1 ou… Crónica de homenagem a Cristiano Ronaldo

     O rapaz nasceu no Funchal. Não foi na parte nobre, rica, turística, mas… esquecendo-se da escola (e nisso não fez bem) o que ele queria era, junto da sua casa, jogar à bola, com outros ou mesmo sozinho, brincar como quem joga, ou jogar como quem brinca, que vai dar ao mesmo, talvez. E deu. Foi parar ao Nacional, que já era demais, um miúdo assim, tão determinado em QUERER SABER E SABER FAZER “essa coisa” de jogar (igual a gostar de brincar, mais e mais e mais…) com uma bola, até à perfeição, todos os dias, cada vez melhor e mais difícil e diferente… Todos os dias a tentar, a errar e a acertar, e mais, e mais, e mais… Tentativa e erro… novas aprendizagens, novas aquisições… tentativa e erro… novas aprendizagens, novas aquisições… tentativa e erro… Sempre, até conseguir!…
     Depois veio a Academia do Sporting e o miúdo, que veio da sua rua, horas a chutar contra a parede, ou contra a baliza, e num lado qualquer um guarda-redes, real ou imaginário, o miúdo a continuar a fintar os outros e a si próprio, se preciso fosse, para aprender mais e mais como fazer, insaciável na sua determinação (determinação tem o sentido de querer chegar ao término de algo a que qualquer pessoa se propõe) o miúdo trepa, célere, escada acima, por cá e, num ápice, chega ao estrangeiro e dita leis, com fintas e pontapés de sonho, a bola, em suave voo ou como bala, ou ainda como bicha de rabiar, a fugir, a fugir, a fugir aos elásticos dos mais elásticos e consagrados guarda-redes, e finta e refinta, ou faz que finta mas não finta, volta a fintar como quem brinca à bolinha debaixo da carta, que tão depressa lá está como já não está e põe os defesas sem verem a “vermelhinha”, os defesas pregados ou de cangalhas, no chão verde, verde para ele, de glória, mas, para os defesas, de tortura ou, como bailarino, agiganta-se, qual galgo alado, plana nos ares, aí se suspende e permanece, retesa músculos, pára a respiração, tudo por intermináveis milésimos de segundo e zás… da cabeça faz taco, ou raqueta, ou placa giratória e a bola, ali batendo, na testa iluminada, segue, imparável, para o fundo da baliza, está cumprida a determinação, atingido o objectivo, é “goal”!
     Há tanta coisa notável naquele corpo, sobretudo no cérebro!!!… para além da aptidão natural, que tem de considerar-se elevada, que este homem-atleta deveria ser considerado um caso de estudo. Como um cientista, como um artista, um “performer”, como um fora de série, como um verdadeiro “special one”… E, não fora ele, mais um ou dois, fugindo ao inconcebível esquema, mais uma vez, de F. Santos, e a Suíça poderia, DE NOVO, vencer Portugal. A Suíça até foi mais selecção, mas não teve a chamada sorte do jogo. E, para além do King que, nos tempos de hoje, é Cristiano Ronaldo, com a ajuda de mais dois ou três companheiros (o passe LONGO, de Rúben Neves, para Bernardo Silva e deste para Ronaldo, no 2º golo, foi contra as orientações de F. Santos) tudo o mais de interessante que aconteceu, em termos de equipas, pertenceu à selecção da Suíça.
     Poderemos vir a ganhar na final da Liga das Nações (hummmmm!???) mas esta ideia de futebolzinho, com tanta gente de grande qualidade em campo, não só espera sempre pela arte suprema e a eficácia de Cristiano, como reduz essa grande qualidade a um monte de vulgaridades. E é pena.
Manuel João Sá.
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Foto do Jogo Portugal 3 – Suíça 1, no Estádio do Dragão, em 5 Junho 2019. Cristiano Ronaldo marcou os três golos de Portugal, apurando-nos para a final da Liga das Nações

Autor: 60emais

Português.

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