Rio da Quinta, de regresso à vida

Vale de Santarém. 18 de Outubro 2018. Um dia para recordar, por boas razões. Concluída a recuperação de um espaço onde minha mãe e muitas, muitas mães e filhas, do Vale de Santarém, lavaram as roupas das suas famílias e de outras casas (grandes) ao longo de muitos anos, talvez séculos, que sei eu?…

No lugar chamado de “rio da quinta”, como noutros pontos do ribeiro que atravessa a nossa terra, era assim, ao longo do ano, quando a água não ia barrenta, ou como quando durante uns anos, em que uma fábrica das tripas começou a poluir tudo, o que meteu revolta, abaixo assinado, GNR a cavalo, denúncias dos pides e de outros, mas ao fim desses anos a fábrica, construída na zona do moinho (azenha) de cima, teve que fechar, e ainda bem.

Ora, este ponto do rio que, aí, passa por dentro do que foi a Quinta do Desembargador, mais tarde de Rebello da Silva, não é só um ponto do rio. Essa histórica memória da nossa terra, (diga-se, de toda a nossa população, há centenas de anos, e por isso resgatá-lo da desgraça em que havia caído era uma obrigação para com o nosso passado, era uma exigência de cidadania) vai agora estar limpo, recuperado, beneficiado, pronto para ser visto e usado com alegria, com sensatez, com respeito pela Natureza e pela História do Vale de Santarém. Um ribeiro que foi sempre fonte de subsistência, de vida, mas também de encontro, de convívio de mulheres, homens e até crianças, que dele usufruíram, que dele cuidaram, que nele e nas suas margens trabalharam, para seu sustento.

Usando, de certo modo, versos de Fernando Pessoa, nós, valesanternos, quando estamos ao pé do nosso “rio”, não estamos só ao pé do nosso “rio”: estamos ao pé da nossa História. Nesta recuperação de um dos nossos símbolos encontram-se o passado, o presente e o futuro que, enquanto água e vida houver, é meu, é nosso, é dos valesantarenos e de todos os que o queiram respeitar e amar. E é preciso mantê-lo, preservá-lo, amá-lo.

Há que dizê-lo: houve uma acção de cidadania que deu frutos. O descontentamento da população era grande, há anos, face à situação, e isso era ouvido da boca de muitos; o Movimento Ecologista do Vale de Santarém vinha-se batendo, publicamente, por esta mudança, e para isso deu ideias e também ajudou nos trabalhos; houve acolhimento, por parte da Junta e da Assembleia de Freguesia, para que os trabalhos se realizassem, e levou-os a cabo; a Câmara Municipal de Santarém também assumiu a sua parte, no processo de recuperação do local. Portanto, 18 de Out 2018, é dia de festa, no Vale de Santarém.

Manuel João Sá

reabilitar troço a troço (1)

Autor: 60emais

Português.

2 opiniões sobre “Rio da Quinta, de regresso à vida”

    1. Obrigado, amigo Gomes. Um sítio para visitar, com a Confraria dos 60s. Faço de guia, pois conheço a terra, a zona e há muito para conhecer. Meu abraço.

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