João d’Aldeia, finalmente!

Manuel Azenha, meu amigo desde os bancos da escola primária, faleceu em 2016. Foi um Vale Santareno muito interessado em tudo que dissesse respeito à terra. Muito bom aluno na Escola Primária, e, não tendo podido prosseguir estudos, foi nos livros que encontrou a base para continuar a satisfazer a sua sede de aprender, de conhecer, de saber mais, em diversos campos. A partir de 2010, tendo terminado a minha actividade profissional, encontramo-nos com frequência, e muito conversámos sobre o nosso Vale e de uma certa paragem no tempo que se sentia há anos, que era referida por muitos, na já então vila. Foi com ele e outros (umas dezenas) que lançámos as bases para o Movimento Ecologista do Vale de Santarém, em 2013, assim como foi connosco e alguns mais que começou a acontecer o almoço anual dos antigos alunos da Escola Primária Aristides Graça, uma realidade que costuma congregar dezenas de participantes – por exemplo, em 2016 teve 167 presenças e em 2017 teve 152. Mas passavam por muito mais assuntos as nossas conversas sobre o Vale de Santarém. Se íamos conseguindo alguma coisa em algumas áreas, noutras estávamos a caminho. Com dificuldades, mas continuávamos, até que a morte o levou. Um tema era recorrente: João da Silva Nogueira, ou seja, o poeta João d’Aldeia, natural do Vale de Santarém (nasceu em 1879) onde faleceu, em 1961. Trocámos o que sabíamos dele, do homem, poeta, que víamos triste, escondido por detrás daquela janela fechada de um 1º andar esconso, quando éramos garotos; falámos da sua personalidade, ou sobre o que julgávamos que fosse, falámos do que dele se dizia. Falámos do muito pouco que se sabia da sua obra, mesmo na terra, embora houvesse pessoas que soubessem recitar os seus versos e, até, cantá-los, pois também escrevia para as récitas da escola primária e para peças de teatro de adultos. Foi o Manuel Azenha que me indicou algumas pessoas, como a Maria Elvira Serrenho, o José da Cruz (Caralheta, por alcunha), a Mariana Sá Patrício, as quais, sabia ele, conheciam de cor alguns versos do João d’Aldeia.

Como crianças à procura do tesouro, pouco íamos conseguindo, no entanto. O Manuel Azenha tinha um entre-acto em verso, da autoria do João d’Aldeia e mostrou-mo. Como ele tinha um blogue, disse-lhe: publica-o. Foi quando entrevistei a Maria Elvira e, depois, o José da Cruz, que eu os ouvi a cantar os tais versos: uma delicia de versos, de música, de vozes, fazendo acreditar que terá sido um espectáculo de grande aceitação, na nossa terra. Com a Mariana Sá Patrício vieram outras novidades.

João d’Aldeia continuou na minha mira, embora o Azenha já tivesse partido, sem poder alcançar a obra do Poeta. Já antes, em Nov 2015, com um grupo de Vale Santarenos, fiz uma reunião para procurar recuperar, resgatar do esquecimento e da provável perda, para sempre, de muito que, do ponto de vista histórico e cultural, o nosso Vale foi “acumulando”. A Junta deu o espaço para a reunião. Inventariámos uma larga lista de assuntos e combinámos que, consoante as nossas possibilidades e saberes, iríamos trabalhar voluntariamente nesse sentido. Ora, depois de pesquisas em jornais (Correio do Ribatejo, sobretudo) e de conversas com muitas pessoas, e com o que havia sido conseguido noutras pesquisas já realizadas antes disso, por alguns de nós, está pronto e vai ser apresentado, no domingo 24 de Junho, na sede da Junta de Freguesia, o primeiro produto desse trabalho, sob o título “João d’Aldeia, poeta do Vale de Santarém”. A apresentação do trabalho, a cargo do Dr. Pinto da Rocha, que é seu autor, constitui algo que pessoalmente sempre tive em mente. É uma dádiva do recém criado Grupo Vale de Santarém-Identidade e Memória aos Vale Santarenos, pois aos Vale Santarenos pertence, em primeira mão, além de interessar a muitos outros. Foi este Grupo que contactou o Presidente da Junta e propôs que, nas comemorações da elevação do Vale a Vila, o trabalho fosse apresentado e houvesse uma homenagem ao Poeta, a prestar pelo Vale de Santarém, o que aliás foi muito bem acolhido. 

O grande interesse que o Manuel Azenha tinha no conhecimento da obra poética de João d’Aldeia vai começar a ter resposta, embora ainda seja necessário continuar esse trabalho. Infelizmente, o meu Amigo já cá não está. Deixou-nos esse entre-acto em verso no seu blogue. Pode ser lido clicando em
https://aconversacomsegismundo.wordpress.com/…/recordando-…/.

E, assim também, a minha homenagem ao meu amigo Manuel Azenha. Um Vale Santareno de muito valor.

Manuel João Sá.

Convite

 

 

 

Autor: 60emais

Português.

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