ENCONTRO DO PRIMEIRO CENTENÁRIO DA ESCOLA PRIMÁRIA ARISTIDES GRAÇA – VALE DE SANTARÉM

FUNDADA EM 1915, A ESCOLA MUNICIPAL ARISTIDES GRAÇA, DO VALE DE SANTARÉM, VAI SER LEMBRADA NO DIA 10 DE OUTUBRO, COM UM PROGRAMA QUE ESTÁ A SER DIVULGADO, RELATIVO AO 1º CENTENÁRIO DA FUNDAÇÃO DA ESCOLA, QUE SE MOSTRA A SEGUIR.

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Há anos que uma comissão de antigos alunos realiza um encontro, no qual participam também familiares e amigos. Este convívio tem por fim juntar os que, ao longo de décadas, meninas e meninos, fizeram parte dessa experiência única que foi frequentarem uma escola primária, espaço e tempo de aprendizagem, incluindo não só as matérias escolares desde o “a e i o u” até à 4ª classe mas também, tão importante como isso, a iniciação da convivência humana num universo mais alargado – foi então que cada criança pôde começar a ter consciência de um número maior de iguais a si, na sua aldeia. Período primeiro das convivências pessoais com grande impacto fora da esfera familiar, num período de 4 anos ou mais, esse tempo construiu laços de um carácter único, por isso deixando sementes para o futuro, como se de Primavera se tratasse, que hoje, apesar de percursos muito diversos, de contingências pessoais e outras, faz regressar as crianças de então ao grupo e ao espaço em que tudo aconteceu, como bandos de pássaros esvoaçando de volta a um ninho comum.

É certamente com o sentimento de alegria e prazer pelo reencontro, que vai acontecer mais este convívio anual, desta vez com a particularidade de acontecer no ano em que se cumpre o 1º centenário da fundação da escola, sobre a qual, com base num trabalho de Maria Alzira Ameida, se pode ler o seguinte:

Memória – 1915 – Ano de Construção e de Criação de Escolas (Concelho de Santarém)

Maria-Alzira Almeida
Maria-Alzira Almeida – Professora de História.

“Tendo por base o excelente documento que é o Correio da Extremadura, apercebi-me de uma atividade desusada, em 1915, no que concerne à construção de edifícios escolares para o ensino primário. Refletindo sobre o assunto, concluí que houve vários motivos para isso.

Primeiro motivo – em 1915 houve eleições legislativas. Uma vez que o Partido Republicano Português se havia cindido em três partidos, assiste-se a um gladiar de ideias entre eles.

Segundo motivo – o ensino primário estava sob alçada das Câmaras Municipais, nomeadamente no que respeitava a colocação, transferência e licenças dos professores.

Assiste-se assim a uma crítica constante do Correio da Extremadura que, estando vinculado ao Partido Evolucionista, uma vez que João Arruda estaria filiado neste partido, não perde oportunidade de divulgar erros ou de mostrar melhores soluções. Era aproveitada a rubrica «O QUE SE DIZ…» para espetar umas alfinetadas na atuação da Câmara.

Os motivos mais propícios à crítica eram o estado miserável das estradas e a gerência do ensino primário.

Mas a Câmara Municipal de Santarém, por muito que quisesse fazer, na tentativa da conquista de votos, debatia-se com graves dificuldades. Não havia edifícios onde instalar as muitas escolas pedidas pelas freguesias nem casas que servissem de residência aos professores, recorrendo-se ao aluguer. Também não havia instalações sanitárias para professores e alunos. Uma das principais dificuldades era, no entanto, a falta de dinheiro. É por isso que na 1ª sessão plenária da Câmara, no dia 20 de Janeiro, se delibera telegrafar ao ministro da Instrução alertando-o para um pedido de subsídio anteriormente feito para construção de escolas. E no dia 27, ainda em sessão plenária, é aprovada uma proposta, apresentada pelo presidente da Comissão Executiva da mesma Câmara, de se criar uma norma de prioridade de construção de “casas de escola”, uma vez que é impossível serem construídas em 1915, todas as escolas previstas no orçamento. Um dos itens a ter em conta na seriação, é a importância dos donativos da junta de paróquia e do povo de cada freguesia.

Vejamos então, por ordem alfabética, o movimento relacionado com cada escola do concelho, no ano de 1915:”.

SEGUE O QUE ESTÁ REFERIDO, QUANTO À FUNDAÇÃO DA ESCOLA PRIMÁRIA MUNICIPAL ARISTIDES GRAÇA – VALE DE SANTARÉM.

“VALE DE SANTARÉM – O Correio da Extremadura de 13 de fevereiro informa que Manuel Barreiros Duarte Graça, escrivão de direito e notário, lega à Câmara o seu prédio no Vale para nele ser instalada a escola feminina com o nome de Aristides Graça, e casas anexas para residência de professores.

Na reunião de 1 de junho da Comissão executiva, esta manda adaptar a escola a casa do Vale. A 13 de julho decide dar de arrematação a adaptação prevista. A 10 de agosto, tinha sido adjudicada a Augusto da Silva Coelho, por 449$00, a referida adaptação. A escola foi oficialmente inaugurada em Janeiro de 1916.”

Resta referir que o Correio da Extremadura passou a ser, mais tarde, o Correio do Ribatejo.

Dada esta informação, de muito interesse certamente para os Vale-Santarenos em geral, resta-me desejar grande participação nas comemorações, abertas a todos, com inscrição para o caso do almoço, nos termos do que está mencionado no cartaz acima.

A comissão organizadora é constituída por

Francisco Nascimento Ferreira – José Rosa Marques – Manuel João Sá – Manuel Júlio Azenha – Manuela Grazina – Margarida Carvalho Silva – Maria Adelaide Cunha – Maria Manuela Martins – Virgílio Paulino Pereira – Vitorina Rosa

Manuel João Sá

Autor: 60emais

Português.

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