Crónicas do Vale de Santarém – O princípio, depois do fim…

Há uma estrada. A estrada é longa, longa. Caminho nela como num Precipíciosonho e lá adiante, muito lá adiante há-de ser o fim da estrada e depois é o precipício e depois do precipício não há mais estrada, mais nada, a não ser o precipício e nuvens e nevoeiro e silêncio e o vazio e eu vou voar ou cair para não seio onde, porque não há lugar nenhum, só o vazio, por ali ficarei a vogar, como o astronauta perdido depois de desligado da nave no 2001 odisseia no espaço, silêncio, silêncio, foram-se as nuvens, o nevoeiro, há em volta só uma gaze de neblina a diluir-se e depois o azul azul polvilhado de pontos de luz, astros no meio do suposto vazio, era assim o meu fim do mundo quando era criança, um dia caminharia, caminharia e encontraria o fim do mundo, estava eu à espera de que seria assim, agora em sonhos juntei a tudo isso restos de sonhos, memórias distorcidas da realidade, desejos sobrenadando nas correntes das angústias dos dias, esperanças no amanhã que há-de ser diferente, se eu quiser que seja diferente, querer é o princípio de tudo.

2013. O fim de qualquer coisa ou de nada. O fim, somente, no calendário e pouco mais. De resto continua quase tudo como antes e assim vai continuar. Horrível. Se quisermos. De novo, querer é o verbo, a acção decisiva.

2014. Que  quero eu, perdido neste espaço imenso de quase fim do mundo, de caos? Que quero eu fazer para que não sejamos, vivamos sonâmbulos, apáticos, vergados, menores, inferiores, presas, inertes, corpos e mentes em contorno, porém ocos de matéria, de vibração e de vida transformacional?

Há uma estrada. A estrada é longa, longa. Vou querer não vogar no precipício, no vazio. Há-de haver um princípio. Há sempre um princípio, depois de qualquer fim. Encontrá-lo. Ou construí-lo. É preciso querer.

Manuel Sá.

Autor: 60emais

Português.

2 opiniões sobre “Crónicas do Vale de Santarém – O princípio, depois do fim…”

    1. «Totalmente verdade», questiono, porque, para mim o princípio de tudo, parece-me ser o sonho. É a partir deste,
      que construímos o querer e o querer faz parte da nossa Força Interior.
      Um ano cheio de força.
      Maria Helena

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