MAIS DE 40 PARTICIPANTES NA CAMINHADA ORGANIZADA PELO MOVIMENTO ECOLOGISTA – VALE DE SANTARÉM

Pelas oito e meia da manhã começaram a chegar os participantes: os que estavam inscritos e mais alguns. Entretanto, ainda outros, com dificuldades de locomoção mas interessados na iniciativa, fizeram questão de marcar presença no almoço e convívio final, em Santana. No total houve 45 participantes, sendo 35 caminheiros. No grupo, gente de muitas idades – crianças, adolescentes, até aos de mais de sessenta. O início da caminhada, pouco depois das nove da manhã,  foi na Ponte de Asseca, onde o rio Maior recebe as águas da ribeira das Fontainhas, também ela poluída, e perto de uma das entradas de maior volume de materiais provenientes de uma suinicultora instalada nas proximidades da estrada para Póvoa da Isenta. O grupo caminhou em direcção ao cômoro do rio, fazendo o percurso pela margem esquerda, até à ponte do Vale. Nesse trajecto, em que arbustos e silvas invadem há muito o próprio cômoro, dificultando o caminhar, foi possível observar como as águas correm bem negras, por vezes entre pequenas ilhas que se formaram, com plantas aquáticas, salgueiros e outras árvores invadindo o rio, que em alguns pontos nem se consegue ver. Até à Ponte do Vale há entradas de poluição, somente a nascente da Quinta de Santo António lança no rio água límpida. Entretanto, pelo caminho, lixo acumulado, em diversos pontos, além de grandes sacas de plástico, contendo restos de canalizações também de plástico, lançadas para o meio dos silvados, junto ao rio.

Feita a primeira paragem na Ponte do Vale, para receber reforço de água e alimentação, viu-se acumulação de lixo e outros atentados à saúde do rio. O grupo continuou então pela margem direita, até à ponte do Ferreira. Foi nessa parte do trajecto que surgiu a ETAR do Vale de Santarém, que impressionou pela quantidade de materiais orgânicos sem qualquer tratamento, que deita para o rio. Terminada há muito tempo, a ETAR continua sem funcionar. Soube-se que esteve prevista a sua inauguração, agora em tempo de eleições, só que, tendo sido invadida e vandalizada, com roubo de parte substancial do equipamento, há agora que gastar mais para a recuperar, até que possa trabalhar e cumprir o objectivo para que foi criada. 

Constatado este autêntico crime ambiental, que permanece há imenso tempo, o grupo continuou a sua marcha, detendo-se em pontos a ter em atenção: algumas outras entradas de materiais poluidores vindos de suinicultoras; proliferação de jacintos de água (planta muito prejudicial para os cursos de água) em determinadas zonas cobrindo completamente o leito do rio; captações de água para regas que foram feitas com destruição parcial do cômoro.

Foi já perto da uma da tarde que o grupo chegou à ponte de Santana. Embora com o cansaço próprio de uma jornada longa (9km) em terreno nem sempre favorável e sob bastante calor, o grupo cumpriu o seu objectivo – passeio pedestre nas margens do rio Maior/Vala Real, entre Ponte de Asseca e Ponte de Santana – durante o qual, infelizmente, se constatou a grave situação em que se tem vindo a transformar o rio, a qual urge ser tomada a sério pelas entidades competentes. Aliás, as acções de poluição do rio são sentidas ao longo de quase todo o seu curso, como muitas pessoas e organizações têm denunciado, em particular o Movimento Ar Puro, que também se fez representar nesta caminhada. Outra organização que tem vindo a tomar posição é a Ecocartaxo, que fez deslocar ao almoço dois dos seus membros directivos.

No almoço que se seguiu, preparado por uma equipa da organização e que decorreu sob o  telheiro cedido pelo Sr. Joaquim Toito, houve manifestação geral de satisfação por esta iniciativa e que importa continuar no caminho da defesa da despoluição, recuperação e valorização do rio. Vários participantes se dirigiram aos organizadores dizendo-se disponíveis para novas iniciativas neste sentido.

Da parte da organização do Movimento Ecologista – Vale de Santarém, já na fase de encerramento do almoço, foi dito que o que se pretende é QUE TODOS CUMPRAM AS REGRAS DE NÃO POLUIÇÃO (organismos púbicos, municípios, freguesias, particulares, empresas…) única forma de defender um curso de água de tão grande importância para a região e que alguns estão a destruir. 

Uma senhora de Santana, que quis dar um breve testemunho junto de alguns participantes, dizia: “agora é um mau cheiro que não se pode, vêm os mosquitos, invadem-nos a casa… antigamente a gente lavava a roupa na vala, até nadávamos aí, agora?… é só porcaria… o rio tinha peixe, agora só quando chove bem e o peixe sobe… é uma desgraça, essa água podre é a que vai para as regas do melão, do tomate, ao que isto chegou!… o rio está abandonado pelas autoridades”.

Realizada esta iniciativa, que teve assinalável aderência, foi dito, a terminar, que esta situação do rio Maior/vala Real é um objectivo que vai merecer a atenção permanente do Movimento Ecologista – Vale de Santarém, e que outras acções serão divulgadas, sempre numa base de participação ampla, independente e não partidária politicamente.

Quanto ao rio Maior, mas também sobre outros assuntos de conteúdo ecologista, como o Pinheiro das Areias (árvore histórica, de grande porte, reconhecida a nível nacional), o ribeiro “rio das Patas”, o jardim público e o património histórico da terra, pertença de todos, que se degrada.

Entretanto, o Movimento terá em breve uma página sua na internet, através da qual assumirá a sua organização e visibilidade pública de forma permanente, de modo a contactar (e estar contactável) não só os Vale-Santarenos mas todos os que se lhe queiram dirigir.

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Percurso da 1ª Caminhada
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Grupo que iniciou a caminhada, junto à ponte de Asseca, sobre o rio Maior/vala Real.
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O grupo, a caminho… olhando as águas poluídas.
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O grupo, entre o canavial, no cômoro do rio.
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Um dos diversos sacos com lixo (plásticos) deitados para o silvado, no cômoro do rio.
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Lixo, junto à Ponte Vale
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Alexandre e Lucas, os dois mais pequeninos participantes na caminhada, num momento de alimentação e descanso.
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ETAR do Vale de Santarém – esteve prestes a ser inaugurada recentemente, porém foi vandalizada e roubaram parte do equipamento. Actualmente está inoperacional, com resultados catastróficos para o rio – foto seguinte.
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O que sai dos esgotos urbanos do Vale de Santarém vem parar aqui, ao rio, presentemente sem qualquer tratamento… até quando?
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O grupo, de novo a caminho do cômoro, para continuar até à ponte do Ferreira…
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O rio Maior/vala Real, “sepultado” pelos arbustos aquáticos e vegetação em redor, a precisar de limpeza, que não é feita há anos…
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O grupo ao chegar a um ponto onde foi feito um rebaixamento do cômoro (à esquerda, na foto) para instalação de suportes para rega, o que fragiliza o suporte físico que o cômoro constitui contra as inundações…
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Lenha abandonada no cômoro, já perto de Santana.
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Um dos muitos mantos de jacintos, planta altamente negativa para a vida nas águas dos rios… aqui, já em Santana.
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Terminada a caminhada, parte do grupo no almoço perto da ponte de Santana-Cartaxo.

Autor: 60emais

Português.

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