RIO MAIOR: UM RIO A DESFRUTAR, UM RIO A PROTEGER

IMG_2824 (500x375)Há quantos anos não caminhava eu por ali, pelas margens do rio Maior, cujo curso foi alterado no tempo de D. José e, por isso, passou a ser conhecido também por Vala Real? Em criança, depois como adolescente, muitas foram as vezes em que, a pé ou de bicicleta, eu e outros nos metemos em gostosas aventuras, que começavam no Vale de Santarém, por vezes íamos até Santana, ou mesmo até ao Setil, depois era a hora do regresso a casa, a noite a chegar, os nossos pais na ansiedade do costume. Naquele tempo os trabalhadores do campo utilizavam também o cômoro da vala para se deslocarem, a pé, de bicicleta e de carroça, nós caminhávamos com eles, assistindo à expressão das suas fadigas, das suas conversas, algazarras, silêncios. O rio corria tranquilo, água clara, peixes a saltar, pássaros em volta. Nada fazia prever que, num outro tempo, parte desse cenário viesse a ser completamente diferente, para pior, bem pior. Esse tempo é o de agora: a poluição mata o rio.

Foi uma louvável iniciativa da Eco Cartaxo que me trouxe, novamente, até ao… rio da minha aldeia. No dia 19 de Maio, como aqui dei notícia, realizou-se uma caminhada ao longo do rio Maior/Vala Real, entre Santana e Setil, com regresso a Santana. Compareceram mais de 20 interessados, de diversas origens e idades e que, animados de boa disposição e preparados para o objectivo, se fizeram à jornada. Foi um regalo. Com o rio ao nosso lado, ainda bem caudaloso por via das chuvadas intensas, fomos sempre caminhando, conversando, olhando as águas, a vegetação nas margens, os campos em trabalhos de semeadura. Aqui e ali, melros, rouxinóis e outros cantantes pareciam dar os bons dias, enquanto outros pássaros maiores, brancos, nas terras ou voando em busca de presas, pediam fotos, nisso competindo com as plantas, as flores silvestres, as borboletas e… os lixos. Nas águas do rio, quase mostrando-se à superfície, carpas, talvez, desenhavam riscos, aproveitando a fartura, até que, com a poluição contínua e a redução do caudal, elas, as carpas, afinal todo o peixe, tenha de fugir para a foz, no Tejo.

Uma jornada fantástica, com almoço junto à ponte férrea da linha Setil-Vendas Novas, onde a chuva surgiu, sem incomodar. Depois foi o regresso a Santana. As conversas, muitas, com grande partilha, andaram em torno da riqueza do rio Maior e da destruição a que está a ser sujeito: suinicultoras, indústrias, despejos urbanos e outros desmandos e agressões. Deu para ver como um rio que tem tanta importância para a região, em especial para a agricultura, pode também ser um longo caminho para passeios, a pé ou de bicicleta (porque não BTT?) para lazer, para a pesca amadora, inclusive para a realização de provas desportivas. Porém, para isso é imperioso proteger o rio, há que lutar contra a poluição que o mina. Se assim continuar é mais um que tem os dias contados.

A iniciativa da Eco Cartaxo e outras que, estou certo, vão ser levadas a cabo, permitirão às populações a reaproximação a um rio que é um bem da natureza da região, que urge preservar e manter de forma equilibrada, como uma riqueza de usufruto comum, e não como o enorme vazadouro em que o estão a transformar. É contra este destino do rio que se têm manifestado a Eco Cartaxo, o Movimento Ar Puro  e outros cidadãos, como aqui tenho vindo a noticiar.

O movimento de denúncia e de exigência de medidas cresce. É preciso continuar. Esperam-se, melhor, desejam-se, novas e muito participadas iniciativas. Da nascente à foz do Rio Maior/Vala Real. Vamos a isso!

PUBLICAREI FOTOS FEITAS DURANTE A CAMINHADA, QUE SERÃO DISTRIBUÍDAS POR DIFERENTES POSTS.

IMG_2812 (500x375)
Rio Maior/Vala Real junto a Santana-Cartaxo
IMG_2813 (500x375)
Alguns dos caminheiros sobre a ponte de Santana, a caminho… da caminhada.
IMG_2821 (500x375)
A primeira grande surpresa: ninho sobre os jacintos, sobre as águas do rio…, junto à ponte de Santana.
IMG_2822 (500x375)
O rio como um espelho…
IMG_2826 (500x375)
Caminhando sobre o cômoro… é por aqui que se pode acompanhar o rio, ali mesmo ao pé.
IMG_2827 (500x375)
Em grande parte do ano o rio é navegável… basta querer e ter os meios para o fazer.
IMG_2828 (500x375)
Tempo para mais umas fotos…
IMG_2831 (500x375)
e nas margens… muito lixo…

Autor: 60emais

Português.

5 opiniões sobre “RIO MAIOR: UM RIO A DESFRUTAR, UM RIO A PROTEGER”

  1. Amigo Sá
    Quantas recordações! Quantas felizes memórias dos piqueniques, das banhocas, das pescarias, da espiga, do futebol, da ‘caça’ às rãs no chabôco, da cabana lacustre dos avieiros (António e Emília, salvo erro) e do seu barco, da sombra da figueira (?) onde nos refugiávamos do sol escaldante, do rabisco das vindimas…E as nossas aventuras pesqueiras na Ponte Asseca frente à casa que na época das cheias sinalizava umas férias extra?
    Obrigado por esta agradável (re)visita !
    Aquele abraço, ZÉ

  2. Obrigado pelo trabalho que fazem para preservar o pouco que nos resta !! tantos milhões dispensados para auto-estradas sem carros, edificios sem vida et contas no banco no estrangeiro bem cheias para alguns… etc deixarem para a futura geraçao un triste cadre de vida!!!!!

  3. Comentário de Maria Emília Roque:

    Querido amigo, Manuel João

    foi com grande entusiasmo que li o artigo sobre o rio Maior que passa pela nossa terra,

    não fora a bengala e gostaria que juntássemos um grupinho para passearmos por esses caminhos de Garrett e tantos outros menos célebres, mas tb interessados e interessantes…

    beijokinhas à Eulália e igualmente para ti, desta velha amiga

    Milinha

  4. Virgílio Pereira e Americo Marques gostam disto.

    Americo Marques è formidavel !! et obrigado a todos ! tenho muita nostalgia desse cantinho da nossa aldeia ! !!
    Ontem às 18:42 · Não gosto · 1

    José Baeta … e quando nós íamos para a “vala” rio maior tomar banho …
    Ontem às 18:52 · Gosto

    Virgílio Pereira Foi lá que eu aprendi a nadar. Todas as tardes, nas férias de verão, era destino obrigatório a ida até à “vala” dar uns mergulhos. Que saudades!!!!!
    há 22 horas · Não gosto · 1

    José Baeta … é verdade, o que nós corríamos na hora do almoço, para dar uns mergulhos, tu não porque moravas perto da escola e ias comer a casa, mas eu e outros era todos os dias, lembras-te do moço que os pais tinam uma tasca cerca da estação e que morreu no pego, já não me lembra o nome, mas andava na mesma classe que eu andava, por lá ficou …
    há 22 horas · Gosto

    Manuel Lopes Será que era o MESSIAS
    há 21 horas · Gosto

    José Baeta … penso não ser esse o nome, mas não garanto …
    há 21 horas · Gosto

    Manuel Lopes ENTAO NAO ERA O IRMAO DO ABILIO
    há 21 horas · Gosto

    Virgílio Pereira Penso que se chamava João e tinha um irmão mais novo que assitiu e se chamava Abílio.
    há 21 horas · Gosto

    José Baeta … Abílio, já me é comum …
    há 21 horas · Gosto

    José Baeta … os pais é que exploravam a tasca, lembra-me de deixar aí a minha bicicleta, quando trabalhei em Vila Franca, possivelmente se chamaria João, sei que ele esteve muito tempo tapado no combro da vala, eu era ainda pequeno, nós! …
    há 21 horas · Gosto

    Americo Marques è verdade meus amigos tambem me lembro desse triste dia !! mas ; felizmente nessa vala toda a mocidade dos anos 60 et 70 temos tambem de boas recordaçoes inesqueciveis !!temos de fazer un dia uma peregrinagem et uma sardinhade (eu ofereço as sardinhas ) lopa tens que te meter au trabalho !!! un abraço para todos:
    há 6 horas · Não gosto · 1

    1. Caros Amigos, agradeço a vossa participação. Agradeço eu e certamente outros leitores, a quem a vossa “conversa” interessará, isto porque quando nós publicamos algo e outros têm coisas a dizer – o que é muito positivo, seja o que for que tenham a dizer, de agrado ou não – o que publicamos já não pertence só a nós, mas a muitos mais. Neste caso há até uma memória vossa que vem acrescentar algo ao que eram as minhas memórias, a propósito do nosso colega de escola que morreu, por afogamento, na vala. Salvo erro a imagem dele está numa das fotos que publiquei aqui também, relacionadas com a nossa Escola Primária Aristides Graça. Se é a pessoa de que me lembro, tinha cabelo loiro (na foto, a preto e branco é cabelo claro) e está numa das fotos publicadas no post de 27 de Outubro de 2012. Gostava que conferissem e dissessem se sim se não.
      Lembro-me de que foi um acontecimento que varreu toda a aldeia, em particular nós ficámos apanhados por essa emoção de perdermos uma criança como nós, durante dias e dias só me vinha isso à mente. Fomos acompanhá-lo no funeral, a escola toda, com os professores, uma tristeza sem fim. Coisas da vida, que ficam para sempre.
      Aproveito para dizer que está a caminho a organização no Vale contra a poluição do rio Maior / Vala Real como já está a acontecer noutras povoações ao longo do curso do rio. Em breve darei aqui nota disso. E uma das iniciativas previstas é a realização de caminhadas e convívios, como aqueles que referem. Quer dizer, juntam-se vozes e disponibilidades para defendermos aquela riqueza que tem vindo a ser destruída aos poucos.
      Abraço,
      Manuel

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.