ATÉ A ADEGA COOPERATIVA DO CARTAXO POLUI O RIO MAIOR

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Sessão pela despoluição do Rio Maior/Vala Real em 2 de Março 2013, no Centro Social e Cultural de Vale da Pedra e Ponte do Reguengo, realizada pela Ecocartaxo.

Realizou-se ontem, dia 2 de Março, uma concorrida sessão promovida pela Ecocartaxo, no Centro Social e Cultural de Vale da Pedra e Ponte do Reguengo.

Foi uma interessante reunião, com a participação dos biólogos Diana Barreto e Pedro Guilherme, que deram informações muito valiosas quanto às características do rio Maior, que na zona é conhecido por Vala Real. Os dois especialistas puderam confirmar, com as suas exposições, que o que está a acontecer no rio é um atentado que o conduz à morte. A situação é muito preocupante e não se têm visto mudanças, apesar das promessas dos organismos do Estado contactados, desde há muitos anos e, também da parte das autarquias, o que tem havido é palavras, sobretudo em tempo de eleições.

As exposições da Ecocartaxo e do Movimento Ar Puro (este do concelho de Rio Maior) traçaram o quadro negro do rio, desde a nascente até à foz. De facto, logo em cima da nascente, houve uma plantação de eucaliptos, um crime que diz bem da cobertura e impunidade de que gozam certas organizações. Depois, ao longo do curso do rio, desde a fábrica de tomate de S. João da Ribeira, às suinicultoras e às descargas de esgotos de muitas povoações, tudo tem sido permitido, para desgraça do rio e da natureza e do bem-estar das populações. Chegou-se ao ponto de o próprio Hospital de Santarém ter tido descargas para uma ribeira que desagua na zona da Ponte de Asseca-Vale de Santarém, onde chegava uma água escuríssima, ainda mais negra que aquela que o rio já trazia. Isto porquê? Porque há uma ETAR que, apesar de construída recentemente, não tem estado a funcionar e, nesta altura, não se sabe se a situação já estará resolvida.

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Sessão pela despoluição do Rio Maior/Vala Real em 2 de Março 2013, no Centro Social e Cultural de Vale da Pedra e Ponte do Reguengo, realizada pela Ecocartaxo.

Quanto à região do Cartaxo foi salientado que as ribeiras se encontram em estado crítico e que a poluição é evidente. Um dos casos mais chocantes será o de a própria Adega Cooperativa do Cartaxo fazer descargas para uma ribeira, mais um contributo significativo para aumentar a já elevada poluição da Vala Real. Perante isto apetece dizer “parece impossível! não pode ser!”. Não se admite que uma entidade destas, de tão grande historial e gozando de prestígio no País e não só, tenha também práticas desta natureza, fazendo crer que a sua responsabilidade social é letra morta.

Foi com uma intervenção escutada com muita atenção que o Dr. Aurélio Marques falou dos tempos em que as águas da Vala Real eram sulcadas por barcos que transportavam produtos da agricultura e outros e até pessoas. Ora esse tempo, que já lá vai há muito, tem sido substituído nas últimas décadas pelo desleixo, pela irresponsabilidade e impunidade de acções verdadeiramente criminosas, pondo em risco a saúde das águas e a vida nas margens do Rio Maior/Vala Real.

Face à calamitosa situação, muitos dos presentes usaram da palavra para darem realce à sessão e aos seus objectivos e à necessidade de um movimento muito amplo, que se estenda a todas as populações ao longo do rio, o qual já envolve pelo menos organizações e pessoas de Póvoas, Alcobertas, São João da Ribeira, Vale de Santarém, Cartaxo, Vale da Pedra/Ponte do Reguengo e Azambuja, locais onde se realizaram reuniões nesta fase. Outras sessões, a decidir, serão anunciadas, assim como iniciativas de outra natureza.

Tem-se a esperança de que será possível vencer esta luta pela despoluição do Rio Maior/Vala Real. O curso de água, que tem muito boas condições até para a prática desportiva e de lazer, pelo menos no período de maior caudal – para além do seu interesse vital para uma região agrícola por excelência – precisa de uma larga adesão a este movimento que, foi salientado, deve procurar ganhar a participação de todas as camadas das populações, numa intervenção de cidadania activa, desde as crianças aos mais idosos. O Rio Maior/Vala Real é um bem de todos os que vivem ao longo do seu leito, mas também da região e do País. Não podemos continuar a deixar que alguns continuem a fazer dele um esgoto a céu aberto.

Autor: 60emais

Português.

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