2013. QUE FAZER?

Cá estamos, à beira da passagem para 2013. O segundo de muitos anos2013. Que fazer horríveis, como tantos outros que iremos ter pela frente. Quantos anos, ninguém sabe. O que sabemos é que 2013 há-de ser um dos piores. São graves de mais e profundas as consequências das medidas políticas, lançadas sobre a grande maioria dos portugueses, para que possamos esperar outra coisa a não ser isso. O cenário, que vai evoluir para pior, é negro: desemprego enorme, arrasador; milhares de empresas falidas e outras a caminho; muitos milhares a passar fome; economia em colapso duradoiro; dívida soberana monstruosa nas mãos dos mercados agiotas; o país a ser vendido a retalho, como se já não existíssemos; confiança nacional de rastos; jovens diplomados, cientistas, investigadores, técnicos, especialistas e operários em fuga, em busca de trabalho, no estrangeiro; alternativas políticas e lideranças domésticas no grau zero; país entregue a um grupo de malfeitores despudorados, fazendo tudo ao contrário do que prometeram, além de não cumprirem um único dos objectivos por si afirmados, porém com o argumento do voto e a tábua de salvação a que sempre recorrem, justificando que foram outros, antes, que lançaram o país nesta via… para o abismo. Tudo isto com uma entidade a governar-nos, de facto, de fora – a troyka – e um bloco a que pertencemos – a União Europeia – que está ainda às mãos da todo-poderosa Alemanha, até quando?!… a ditar as leis que à própria Alemanha interessam, também ela a beneficiar com a dita crise, como é sobejamente conhecido. 

Não sabem muitos portugueses o que lhes está reservado. Talvez vivamos ainda num certo limbo de inconsciência nacional, enquanto o terramoto não devasta, totalmente, as nossas vidas, mas a situação vai ser infelizmente dramática para milhares e milhares de famílias, semeando um impensável clima de  miséria e de impotência.

E afinal, que culpa desta situação tem a grande maioria do povo português? Já não colhe o argumento de que “gastámos de mais”, quando o que aconteceu é que a banca e outros espertos do sistema se afadigaram em encher de sonhos a massa inculta da população, impreparada e sem protecção, qual terra virgem, crédula e generosa, permeável para satisfazer os interesses de uns quantos vilões: não só os banqueiros mas também os grandes construtores civis, os autarcas corruptos – quanto ao crédito à habitação própria, em detrimento do arrendamento. E depois, se gastámos de mais, se nos endividámos, se agora as famílias não têm cheta, quem ganhou com isso? Onde está o dinheiro?

É bom lembrar as notícias pomposas dos bancos, aqui, no Portugalzinho afinal a caminho da bancarrota, sobre os seus lucros de milhões e milhões, numa competição feroz, à caça de clientes em cada esquina, pressionando, pressionando, manipulando, enganando… a tentarem vender casas e mais casas, automóveis, motos, faqueiros, viagens, canetas, medalhas, vinhos, tudo e mais alguma coisa, a par de contas miraculosas com nomes sonantes, porém cada vez menos investimento nas empresas, na agricultura, na indústria, no desenvolvimento em bens transaccionáveis, que a hora era de ganhar depressa, a qualquer preço, e o futuro do país e dos portugueses que se lixasse, como se viu. Ainda para mais, quando quase nada do que foi lembrado aquando da nossa entrada para a CEE foi prioridade, no concreto: modernização e desenvolvimento empresarial, investimento industrial, actualização dos gestores e formação efectiva dos recursos humanos, desenvolvimento em marketing e estratégias para outros mercados, inovação em produtos, serviços e sistemas, manutenção e incremento em produtos de excelência portugueses, que existem. Preferiu-se mais o investimento em betão: autoestradas, “elefantes brancos”  – estádios de futebol e outros, um desperdício – casa própria para todos, condenados a contratos leoninos. É que Cavaco “politicus” decidiu: abaixo a agricultura, abaixo a frota pesqueira, abaixo as minas e a indústria, viva o betão! A seguir vieram outros e fizeram o mesmo.

Também não colhe o argumento de que o 25 de Abril destruiu tudo, ou que a Constituição é travão ao desenvolvimento do país. Por um lado, onde é que nós estaríamos agora se o 25 de Abril não tivesse acontecido; por outro, não foi/não é a Constituição o causador da falta de visão, de projecto e de políticas para o nosso país, mas sim a falência dos suscessivos líderes e forças políticas que governaram até aqui, assim como a tão evidente menoridade e incapacidade congénita generalizada da classe empresarial, pública e privada, em Portugal. Também não vale o argumento de que os portugueses não sabem ou não gostam de trabalhar, que gostam é de viver à custa de… que só sabem é fazer greves, e outras atoardas que se costumam usar, inclusive através das redes sociais, onde alguns bem-intecionados são convidados a aceitar essa ideia, facilmente desmontada quando, como há tantos anos se sabe, os portugueses espalham por todo o mundo as suas competências em termos de qualidade de desempenho, implicando saber, saber-fazer e saber-estar, qualquer que seja a natureza do seu trabalho e o nível a que o desenvolvam.

Uma aliança antiga, de contornos difusos, de interesses afirmados com perseverança, porém de modo camuflado, tem conseguido viver à custa da maioria dos portugueses há anos e anos, e não só depois do 25 de Abril. É o que têm concluído credenciados investigadores nacionais e estrangeiros sobre as razões do nosso atraso económico, social e político, nós que temos desembocado vezes de mais em crises de soberania pela via da dívida, como foi o caso aquando do ultimatum inglês e das situações que motivaram as intervenções do FMI já após o 25 de Abril. A presente crise é mais um exemplo do papel dessa aliança – do modo como ela tem actuado e do mal que isso tem feito ao país. 

Que aliança? A dos senhores da banca e do capital em geral, com os grupos poderosos à cabeça – as famílias influentes que há décadas e décadas têm o país na mão – associados aos políticos de ocasião – os que vão passando pelo poder – ou simplesmente influenciando-os, de modo a garantirem a salvaguarda dos seus interesses de casta, que nada têm a ver com os nacionais, os comuns à maioria, a Portugal. Isto tudo com a sistemática passividade, conivência, cobertura… de uma justiça de parcimónia para com os poderosos. 

O que permite que tudo isto exista assim, deste modo, contínuo, perpetuando-se, há tantas décadas, desde o tempo da monarquia até hoje, atravessando a 1ª república, a ditadura de Salazar/Caetano e novamente a república pós 25 de Abril? De um lado (poderosos, senhores do capital e seus aliados) nada mudou, no essencial. Do outro lado (povo português, suas forças políticas, seus líderes, sua actividade de cidadania) pouco mudou, apesar das liberdades, da Constituição… Quer dizer, de essencial, vertido em acção, em prática sistemática, perseverante, consistente, consolidada, pouco foi conseguido pela via da assunção cidadã por parte do povo português. São ainda os poderosos – uma ínfima minoria – quem mais ordena. E fazem-no em total desrespeito pela grande maioria. De uma forma impiedosa, obscena, aviltante, porém mentindo e manipulando, porque contam com a impreparação, a submissão ancestral, o medo, a falta de confiança em alternativas credíveis, mobilizadoras, que ajudem a levantar a cabeça àqueles que continuam a ser bestas de carga para justificar todas as crises e, por fim, suportar os seus efeitos.

2013 à porta. Que fazer? Rejeitar este abismo. Querer ser diferente e levar à prática isso: ser diferente, de modo activo, perseverante, contínuo. Não chega fazer circular pelas redes sociais esta e mais aquela história verídica dos Relvas, dos Passos, dos Sócrates, dos Portas, dos Ulrichs, dos Jardins, dos Espírito Santo, dos Mexias, dos Pinas Moura, dos… Não chega, também, votar – a favor, ou contra, seja o que for – confiando que quem foi eleito nos representa condignamente, seriamente, cumprindo o que prometeu. Tudo isso é importante, mas muito, muito mais importante é agir: nas assembleias de freguesia e municipais do poder local, na defesa dos interesses das comunidades locais; nas associações de interesse local e regional; nos sindicatos, por uma acção verdadeiramente orientada para a defesa dos interesses de quem trabalha, e não para jogadas ou correias de transmissão de partidos; nas manifestações sindicais e não-sindicais; nos partidos – pela sua mudança em defesa da vida dos portugueses, contra a inacção e a entrega de Portugal ao livre arbítrio do poder do capital financeiro. 

Este abismo, no qual deixámos que nos mergulhassem, para nosso mal comum e bem de uma minoria, será tanto mais longo e doloroso quanto mais tarde levantarmos a cabeça para a acção. A cada um de nós cabe dar resposta. Em 2013. Mas também em 2014, em 2015… Sempre.

(Muita saúde, é o meu desejo para 2013, para todos os que me dêem o privilégio da sua visita. Obrigado.)

MJSá

Autor: 60emais

Português.

7 opiniões sobre “2013. QUE FAZER?”

  1. Companheiro
    Que dizer sobre o teu texto?
    Gostaria que estivesses completamente errado, mas não, tu estás completamente certo! O teu texto é assertivo e até lhe noto uma certa indignação, que tanta falta faz ao povo português. O teu incitamento à acção, nas assembleias, juntas de freguesias, sindicatos, etc. é louvável. É por aí, pela participação popular, que se ganha a cidadania. Esta palavra perdeu o seu significado, tal como o “antigo” lema de Abril: “O povo unido jamais será vencido!”, e é pena…
    2013 vai ser um ano terrível, tens razão. Talvez a fome que avança, seja o combustível para outras coisas…
    Parabéns e um abraço

    Reinaldo

  2. Manuel João, já ontem li esta tua exposição. Hoje reli no “Facebook”, através do José Baêta. Apresento-te os meus parabéns pela qualidade do desassombro e das verdades.explanadas.
    A realidade é e vai ser terrível, pois as perspectivas são muito sombrias. A impunidade “anda à solta” e a falta de responsabilidade e de vergonha são o “pão nosso de cada dia”. “Luz ao fundo túnel”, nem vê-la, pois o túnel está totalmente obstruído. Isto está uma selva, “os cães danados estão a atacar” e vamos ver quem se conseguirá salvar.

  3. Reacções feitas no mel mural:

    Olga Maria Santos – Todos nós deviamos ler este texto! Obrigada Sr. Baeta! BOM ANO
    há 23 horas · Não gosto · 1

    José Baeta – Bom ano para si e toda a sua família – beijocas e abraços.
    há 19 horas · Gosto

    Virgílio Pereira – Um primeiro agradecimento ao Maanuel João Sá pela qualidade e verdade do texto, muito sentido, desafiador e perspectivador de um 2013 muito difícil. Depois para o José Baêta por o “colocar” aqui. Estive a reler com muito gosto.
    há 15 horas · Não gosto · 1

    Ludovina Farinha – um bom ano novo que seja melhor que este o que eu duvido um abraço do meu marido e um beijo meu boas festas
    há 12 horas · Não gosto · 1

    Bruno Pires – Verdade escrita so que não chega as orelhas dos nossos burros em S´Bento.Boas entradas companheiro
    há 8 horas · Não gosto · 1

  4. Reacções deixadas no grupo “Noticias sem Censura”

    Luis De Belo Morais – Um pais a fingir e todo atado..
    Em Portugal a mentira foi institucionalizada. A troika, o governo, os comentadores de economia e os jornalistas que hegemonizam o espaço televisivo e a imprensa ignoram as implicações do enorme fracasso da execução orçamental de 2012 e a sua mais que previsível repetição em 2013. Perante o desastre económico e social que está em curso, os alucinados proclamam que estamos no bom caminho e até já temos resultados positivos, os cínicos ou ignorantes assumem que tudo isto é penoso mas é também inevitável, e a oposição partidária afirma que a política está errada mas não apresenta uma alternativa consistente nem uma solução governativa credível.Em 2013 é preciso desatar……..

  5. Reacções deixadas no grupo “Para uma maiorias absoluta para o PS”:

    Antonio Ataide – É vender ou dar as forças armadas. è vender ou dar as forças de segurança. è vender ou dar os hospitais(os que ainda existem.è vender ou dar a AR. É vender ou dar os deputados. É vender ou dar o Goverbos, É VENDER OU DAR O PRESIDENTE DA REPUBLICA. È vender ou dar os milhares de famintos, desempregados, chulos, parasitas. É dar ou vender A PUTA QUE OS PARIU( Escrito à moda do Norte, segundo TONY. è vender a areia o sol o mar. HÁ UM FARTOTE DE COMPRADORES EM CADA CANTO OU ESQUINA.
    há 20 horas · Não gosto · 1

    Chonzinha Tmp – Camarada José Baeta, embora concorde com grande parte do artigo de MJSá, não posso deixar de notar que em certas alturas mistura alhos com bugalhos e que para ele(a) não existem pessoas honestas depois do 25 de Abril. Claro exagero. Ao falar em determinadas pessoas pejorativamente, acaba por alinhar com a propaganda propalada pela direita e que se enraizou em certa camada da população mas com o descalabro deste último Governo vão percebendo cada vez mais que,”atrás de mim virá quem melhor me fará”.
    Não conheço nenhuma democracia no mundo em que não existam Partidos. Talvez aí esteja a nossa grande diferença. A democracia pluralista foi, quanto a mim,a nossa maior conquista. O poder autárquico tem elevado a vida das populações de maneira significativa. A Constituição consolidou a democracia.Não consigo enumerar tudo o que de positivo foi feito, foi tanto que comparando com o que correu mal, o saldo é verdadeiramente positivo.
    Dito isto, temos de lutar para que a direita não destrua o País como está a tentar fazer. Tenho a certeza que as pessoas cada vez estão mais dispostas a lutar.
    Espero que o ano de 2013 demonstre que temos razão.
    há 12 horas · Não gosto · 1

  6. Oh Sá !! um pouco de calma nao faz mal a ninguém e criticar à esquerda e direita faz mal “pra caramba” . Concordo muito com aquela parte em que dizes da participação ativa; mas como tudo na vida, também o direito de cidadania tem que ser incentivado e motivado.
    Por exemplo, eu nao entendo porque é que colocaram a obrigatoriedade da disciplina da eduação sexual nas escolas (basica e secundária) quando essa poderia e deveria ser do âmbito dos pais (familia) e nao colocaram ESTA DISCIPLINA da cidadania como obrigatória. ?? !!
    …eu nao concordo que se diga que o partido x ou o partido y não sabe governar …. a realidade é que é dificil governar com vários partidos (a nossa conquistada democracia) se se perder o principal objetivo: servir o povo.
    Onde é que se foi aprender tamanha burrice que a diferença é igual a desavença ? ou a diferença é negativa ?
    a unidade supõe diferenças se não seria igualdade.
    No meu bairro, a junta de freguesia consegue melhorar as condições dos moradores porque todos trabalham e são comunistas, “fascistas ” (para usar o termo que alguém gosta de usar) de todos os partidos e apartidários . …
    esta junta de freguesia de Carnide é um bom exemplo .
    temos todos que “arregaçar as mangas” não há tempo para discussões destrutivas.

  7. Obviamente, o comentário da Leonor suscita a resposta, melhor dizendo, pede que o autor do texto diga o que pensa sobre o que é dito no comentário, quanto às ideias que manifesta, fruto da reflexão sobre o que se tem vindo a viver no nosso país e não só. Relendo o texto, mantenho integralmente o que escrevi há sete meses. De facto, nada de novo surgiu que contradiga o que menciono e fundamento. Aliás, tudo piorou, confirmando o cenário e aprofundando-o. Não se tratou de eu ter atacado à esquerda e à direita: o que me parece inquestionável é que a sociedade portuguesa permanece, muitos anos após o 25 de Abril, pendente, suspensa, de forças diversas, de política partidária e não só, que lhe tolhem a compreensão e a acção face às necessidades da evolução de que carece, sem a qual estaremos continuamente nesta menoridade, a todos os níveis, sujeitos às acções de gente incapaz, sem valor, lembrando que também aqui “a má moeda expulsa a boa moeda de circulação”. Quer dizer, porque não se formam, ou não se assumem, ou não convencem, ou não são capazes de se entender as forças e as lideranças sociais e políticas – e não há movimento social de fundo que transforme este lodaçal em que vivemos, aqui – a podridão é o nosso pano de fundo e temos largos anos de vida pela frente em que isto vai continuar, embora os portugueses sejam resistentes, generosos, capazes, também humildes e sofredores e, infelizmente, algumas destas características não são positivas, face ao que vivemos. Continuamos… burros de carga.
    Estou de acordo com a essencialidade da educação sexual, na escola ou fora dela (não vejo por que deve ser só no âmbito da família, quando hoje em dia, por diversos meios, as crianças vêem a sugestão sexual até na publicidade, basta olhar, assim como nos filmes, na televisão, no facebook, etc.) mas também com a essencialidade da educação sobre cidadania, sobre valores, absolutamente fundamentais para a vida em sociedade e mais, assunção do ser pessoa, ter direitos e ter deveres, respeitar e fazer-se respeitar, comunicar e deixar comunicar, escutar e fazer-se escutar… é claro que, para tudo isto, seria indispensável um ambiente de confiança num estado de direito, com uma justiça cega – igual para grandes e pequenos, para pobres e para ricos, para grupos/organizações e para indivíduos… com a Constituição da República como lei fundamental a ser cumprida.
    Ora, se tivermos em conta esse “dever ser” e o comparamos com o que tem resultado da acção dos diversos actores políticos – com os partidos à cabeça, mas também dos que estudaram muito, nas melhores universidades do país e do estrangeiro e noutras de grande prestígio, esses de quem se esperava muito mais, assim como dos poderosos locais, dos influenciadores locais e regionais, etc., etc., – então temos que admitir que temos andado a ser enganados, esquecidos, maltratados, no mínimo mal orientados e defendidos pelos que têm tido as rédeas do país – a governação, em todos os domínios – nas suas mãos. Obviamente, servirem o povo foi o que eles não fizeram. E também não há dúvidas: tirando um breve período, são três os partidos que têm dirigido (?) os destinos do país/dos portugueses – PS, PSD e CDS. Ou seja, os que estão nestes partidos, os que neles militam ou são seus indefectíveis seguidores, têm algo muito importante a fazer, se quiserem mudar as coisas: trabalhar dentro desses partidos para os pôr ao serviço do povo, porque não é isso que está a acontecer, embora eu não preveja que as opções dos mesmos partidos seja no sentido de terem uma acção justa, isto é, em que aqueles que mais precisam contem, objectivamente, na sua prática política. Eu não acredito neles, mas os que lá estão ou os seguem não podem ter dúvidas de que têm sido eles os condutores dos destinos do país.
    A diferença, a diversidade, é uma realidade: na natureza, na vida, na sociedade, em todos os domínios.
    Uma visão única, monolítica, é uma aberração. Na verdade não existe – não se consegue mesmo sob a força tirânica, a acção cega e a história das sociedades mostra isso. E o que acontece, tantas vezes em locais de convivência ao nível mais básico – lugares, bairros, aldeias… – onde há comunhão de objectivos e acções para a sua concretização… isso lembra-nos que o caminho passa por aí, mas só a esse nível, pois a nível intermédio e superior (o que é mais difícil) não for conseguido muito mais, da parte de muitos responsáveis e com poder social e político que apele, motive, oriente, dirija o país para um patamar de desenvolvimento, de justiça e de respeito (por si e perante os outros) que o projecte para fora desta sistemática centrifugação de crise e de menoridade em que estamos… há séculos, afinal. Há diversos estudos, com muitos anos, que nos esclarecem sobre isso. No mínimo, basta ler… o Padre António Vieira, Eça de Queiroz, Oliveira Martins, Antero, Aquilino Ribeiro e tantos outros, de há séculos, e alguns que, face a esta última crise ou bem antes dela, nos disseram o que devemos fazer, para sermos diferentes, para melhor, como povo, como país.
    Agradeço muito o seu comentário.
    Manuel Sá.

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