RIO MAIOR – POLUIÇÃO TOTAL, DA NASCENTE À FOZ

O RIO MAIOR ESTÁ MORTO. É PRECISO PÔR FIM AO ATENTADO.

Há anos que se vem acentuando a calamidade. Fruto de contínuas descargas de suiniculturas e de outras acções ilegais, as águas do rio Maior estão podres, impróprias para o quer que seja, e por isso se exige que o rio seja devolvido à natureza, à sua função, às populações por onde passa, ao Tejo – onde desagua – e que sejam aproveitadas todas as suas capacidades para gerar mais-valias económicas saudáveis para a região e o país, bem-estar e prazer aos que dele possam usufruir.

Basta uma simples busca na net para concluir que há vários anos se clama contra este crime. Desde a nascente à foz, há muito que as populações que o rio Maior serve vêm evidenciando, junto das mais diversas entidades, o seu grande descontentamento pela situação a que se chegou, com reflexos cada vez mais negativos na vida das pessoas, impossibilitadas de utilizar, de forma regular e sã, as águas do rio.

Lagoa com dejectos provenientes de suinicultura perto de Póvoas-Rio Maior

Um dos pontos mais evidentes da calamidade é o que abrange a população de Póvoas, da freguesia de Fráguas, no concelho de Rio Maior, onde os maus cheiros e os mosquitos, resultantes das lagoas e valas usadas para as descargas pelas suiniculturas, estão a transformar a vida das pessoas num dia-a-dia de inferno, para o que também contribui o barulho dos animais a qualquer hora do dia.

No dia 18 de Novembro realizou-se em Póvoas uma sessão, promovida pelo Movimento Cívico Ar Puro, que juntou dezenas de pessoas, para além de deputados dos partidos políticos com representação na Assembleia da República, com excepção do PSD, que não compareceu. Foi clara a exigência de todos quanto à erradicação deste mal, que tem nas suiniculturas os principais agentes malfeitores, dado que não respeitam as determinações inerentes à sua actividade. Aliás, foi bem evidente que não é o encerramento das suiniculturas o que se pretende, mas sim que as explorações cumpram o que está previsto na lei, pois se tal acontecesse esta grave situação não existiria.

Debate realizado pelo Movimento Cívico Ar Puro

Mas não são somente as suiniculturas (vinte e uma, ao longo da bacia do rio Maior) a causa da poluição gigante daquele que é o 5º mais importante afluente do Tejo. De facto, segundo se ouve dizer, também uma fábrica de transformação de tomate, em São João da Ribeira, faz do Rio Maior o seu cano de esgoto, em especial no período da sua laboração mais intensa. A juntar a isto, há ainda a descarga de efluentes domésticos não tratados e os químicos da agricultura. Toda esta mistura destruidora, com as suiniculturas à cabeça, transformaram o rio Maior num esgoto enorme, da nascente à foz e, pasme-se perante outro atentado, na zona da nascente, que é um parque florestal público, foram plantados eucaliptos.

Ora, contra tudo isto, apesar da sistemática denúncia das suiniculturas, em particular:

  • uma da Suininvest na Quinta do Capitão,
  • duas da Agropecuária Valinho em Vale da Rosa e no Casal do Larojo, nas Freguesias de Ribeira de São João e São João da Ribeira e em Póvoas, na Freguesia de Fráguas,

e conhecendo as autoridades estas situações, tudo veio continuando como se nada de grave se passasse.

Agropecuária Valinho, em Vale da Rosa, é uma das mais poluentes

Entretanto, mais recentemente, na sequência de uma petição apresentada por cidadãos do concelho de Rio Maior, que havia dado entrada na Assembleia da República em Janeiro de 2011, a comissão parlamentar de Ambiente enviou o processo relativo ao funcionamento das citadas três explorações pecuárias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e para a Provedoria de Justiça. A decisão foi tomada por unanimidade, na sequência de um requerimento da deputada socialista eleita pelo distrito de Santarém, Idália Serrão.

Aguarda-se, com expectativa, o que daqui sairá. Porém, a população de Póvoas promete não vergar os braços, assim como o Movimento Cívico Ar Puro, o qual acabou por ter origem na luta contra este estado de coisas naquela zona do rio. Continuarão a lutar pelo seu bem-estar, contra a poluição que lhes inferniza a vida, e nessa luta merecem toda a solidariedade.

Aliás, a elevada poluição no rio Maior mereceu, na sessão de Póvoas, a condenação também de participantes de outras freguesias postadas ao longo do rio, como Póvoa da Isenta, Vale de Santarém, Vila Chã de Ourique e Cartaxo – aqui pela intervenção de membros da EcoCartaxo. Por outro lado, são conhecidas posições tomadas já em 2008 por organizações de amadores de pesca de muitas vilas e aldeias da região, que lamentavam não poderem realizar provas desportivas regularmente devido à poluição e estado de abandono a que o rio está sujeito, tanto no curso antes da Ponte de Asseca como depois, no troço que se costuma chamar de Vala Real ou Vala da Azambuja. Na zona de Santana – Cartaxo – o rio apresenta ainda um largo manto de jacintos, situação mortífera que é também propiciada pela elevada poluição das águas.

Jacintos de água no poluído rio Maior

QUEREMOS O RIO MAIOR SEM POLUIÇÃO

Ora, considerando que, apesar dos diversos nomes por que o rio é conhecido, ele é afinal o mesmo rio – rio Maior – e a situação a que urge pôr cobro atinge todo o seu leito, importa que se unam todas as forças na recuperação de uma riqueza para a região e para o país, que tem vindo a ser maltratada até à morte por alguns que, tendo direito a manter a sua actividade, não o podem fazer contra as leis que regulam estas matérias, e que devem ser aplicadas, a bem das populações, da saúde e da natureza. Se tal não for travado, estamos perante a manutenção de um crime objectivo, evidente, que desde já e doravante deve merecer a denúncia e exigência de reparação por parte das populações ribeirinhas, entre as quais as do meu Vale de Santarém, até que o rio Maior saia do lodaçal de morte em que o lançaram.

Não nos podemos calar. Queremos o rio sem poluição.

Manuel Sá

Nota: as fotos aqui apresentadas são do blog Cidadania RM – Rio Maior, a quem agradeço.

Autor: 60emais

Português.

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