VALE DE SANTARÉM – EMOÇÃO E MUITAS RECORDAÇÕES NO ENCONTRO-CONVÍVIO DOS ANTIGOS ALUNOS DA ESCOLA PRIMÁRIA ARISTIDES GRAÇA

Decorreu num ambiente de muita emoção o anunciado convívio de antigos alunos da escola primária do Vale, fundada em 1915, graças ao grande amigo das gentes da terra, de seu nome Aristides Graça, que ofereceu os terrenos para a construção do edifício.

Cento e vinte foi o número dos participantes no encontro. Pelas 10 horas começaram a chegar os primeiros antigos alunos às instalações da velha escola. Havia os que, vivendo no Vale, se conheciam bem, mas aos poucos foram surgindo aqueles que há décadas não se viam, o que deu origem a muitas manifestações de alegria pelos reencontros ali conseguidos. Foi altura para as conversas sobre “a escola daqueles tempos”, a recuperação de histórias antigas e as referências aos professores. Foi também o momento para as fotos do reencontro, no espaço em que, em tempos antigos, isso acontecia uma vez por ano, com os professores junto dos alunos. Em seguida foi o regresso às salas de aula, uma para as meninas, no 1º andar, e outra para os rapazes, no rés-do-chão. Muitas décadas depois da última presença ali, ouviam-se afirmações como: “a sala parecia-me tão grande, agora até me parece pequena…”; “olha, o quadro ainda é o mesmo…”; “aqui o professor Costa punha um banco comprido, de madeira, ele chamava cinco ou seis e ficávamos a responder à matéria, e ele de ponteiro na mão…”; “ali era a casa das ratas, onde ficávamos de castigo… aqui pendurávamos as batas, aqui estavam os cabides…”; “aquela coluna ao meio da sala sempre me fez confusão…”; “ali, bem alto, o professor Faria pendurava as atiradeiras, para não andarmos aos pássaros…”; “o Professor Faria entrava, nós já estávamos na sala, levantávamo-nos e dizíamos bom dia senhor professor, ele respondia e ia para a secretária, que era ali, às vezes fumava um cigarro e depois começava a aula”; “um dia caiu um mapa e o professor Faria disse que era preciso um martelo e um prego novo para voltar a pôr o mapa ali…”. Depois, na sala das raparigas: “ali ficava a secretaria da Dona Tomásia”; “aqui a Dona Tomásia projectava um filme, uma vez por ano, que era aquele da história corre, corre, cabacinha…”; “no intervalo umas meninas ficavam aqui, outras iam lá para baixo jogar ao lenço, ao anel, ou saltar à corda e outras coisas…”; “a Dona Tomásia não gostava que os rapazes estivessem a olhar cá para dentro, pelo portão, ralhava com eles…”. Foi ao voltarem à escola que muitos antigos alunos lamentaram o estado em que se encontra o edifício, único, quando se fala em escolas antigas, nitidamente a precisar de uma atenção particular, que permita a sua preservação, pelo papel histórico e sentimental que tem para a população do Vale. Além disso, há certos objectos que ainda se encontram no edifício que deviam ser cuidados e preservados, pelo valor histórico que têm. Os antigos alunos e seus familiares seguiram depois para o cemitério, onde foi colocada uma coroa de flores. Foi a cerimónia de homenagem aos companheiros e professores falecidos, que terminou com um minuto de silêncio, seguido de uma salva de palmas. Dali os participantes dirigiram-se para a igreja, onde decorreu a missa dominical, também dedicada a recordar antigos alunos e professores que já partiram.

Passava pouco da uma e meia da tarde quando se iniciou o período de almoço, com as palavras de abertura a cargo da equipa de organização, que saudou os antigos alunos e familiares, e manifestou prazer pela grande adesão. Ao longo do almoço, que decorreu num ambiente de grande confraternização, juntando pessoas entre os 50 e tal e os 80 e tal anos, provenientes do Vale e de outras regiões do País, houve lugar a muitas conversas sobre os tempos de criança na velha escola. Os participantes contaram também com a surpresa de uma pequena exposição de fotografias de grupos de alunos com os seus professores, assim como de alguns dos principais livros de leitura e brinquedos, como uma boneca de trapos, uma corda de saltar, um carrinho de madeira para bonecas e alguns bordados, isto por parte das raparigas, e uma bola de trapos, uma fisga, uma ratoeira, alguns berlindes, um pião e outros, por parte dos rapazes. Sob um mapa de Portugal (onde era obrigatório identificar, naqueles tempos, os rios e seus afluentes, os caminhos-de-ferro e as linhas e ramais, as baías, os cabos, as capitais de distrito, as principais produções e um sem-número de outros pormenores) podia ver-se um exemplar do diploma da 4ª classe e um prémio obtido por um aluno na 4ª classe, atribuído por um dos ministros da Educação de então. Foi com esse enquadramento que muitos participantes continuaram as suas conversas ao longo da tarde, alguns esforçando-se por identificar quem viam nas fotos expostas. Outros levaram as suas próprias fotos, partilhando-as com os colegas. Entretanto, na sala principal, a certa altura houve quem conseguisse puxar pela memória, levando muitas meninas de então a cantarem algumas das cantigas que se ouviam no seu recreio, como “o burro do meio está preso à estaca…” “as pombinhas da catrina” e outras, que prometeram apresentar mais bem memorizadas em futuro encontro.

Momento muito significativo durante o almoço foi o que se dedicou a homenagear os três mais notáveis professores primários que passaram pelo Vale: a professora Tomásia Rodrigues e os professores Aurélio Faria e Fernando Costa. As intervenções estiveram a cargo dos antigos alunos Regina Pinto da Rocha, José Tomé e Manuel Azenha, respectivamente. Recorrendo às suas memórias, a que juntaram a leitura pessoal sobre o sentimento dos seus antigos colegas relativamente a cada um dos homenageados, os oradores trouxeram à sala as palavras certas, que receberam o acolhimento e o aplauso de todos, num ambiente de muita emoção. Foi depois das seis da tarde que terminou o convívio. Antes disso, muitos foram os que disseram: “temos de fazer isto todos os anos…”, ou “há muitos que no próximo ano também querem vir…”. Na realidade, havia um sentimento geral de agrado por tudo o que se tinha vivido durante o encontro, onde o serviço do CAR-Fonte Boa também correspondeu às expectativas. À equipa de organização fica entregue a responsabilidade de preparar o que for necessário para manter esta intenção para o próximo ano, porém já com uma composição mais alargada, para acolher, numa iniciativa única, todos aqueles que é preciso enquadrar num encontro-convívio de antigos alunos da Escola Primária Aristides Graça.

Em futuras publicações aqui no blogue, sobre este encontro-convívio, serão divulgados os textos das homenagens aos professores, bem como fotos dos antigos alunos que foram expostas e também algumas das que foram feitas durante o convívio.

Seguem-se 3 fotos, obtidas durante a visita às antigas instalações da Escola.

Manuel João Sá.

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Primeiro, as meninas…
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Depois, os rapazes…
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Por fim, todos juntos… mas alguns ainda não tinham chegado.

Autor: 60emais

Português.

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