2012 – O PRIMEIRO DE MUITOS ANOS HORRÍVEIS

Lá fora, sol de inverno. Porém, a deitar calor suficiente, de modo que aqui, perto da janela, está-se bem.

O calendário, nesta parte do globo, as mais das vezes rima com frio, dias chuvosos, ou nevoentos. Mas, ao que parece, vamos dizer adeus a 2011 tendo o sol por companhia. Oxalá.

E… Vamos então entrar no ano besta. Aquele que, por muitas razões, nunca nos deveria aparecer pela frente como tal, como besta. Mas é assim que vai acontecer. A nós, aqui no rectângulo onde existimos como PAÍS PORTUGAL, há séculos. A nós, Povo que há uns tempos (poucos) uns senhores de cá e outros da estranja andam a apelidar de… esbanjadores, gastadores, calaceiros, incompetentes, porcos, corruptos… e mais uma série de epítetos do mais abjecto que se possa imaginar.

No entanto (e a verdade vai sendo encontrada, esmiuçada, esclarecida… contada por muitos outros) tem sido gente que tem poder (os do dinheiro, os empresários de topo, os dirigentes, os influenciadores – em lobbies, nos corredores, escondidos, secretos, por todo o lado – os governantes incompetentes e seus apaniguados e protegidos e mais uma série de bandidos a coberto desses poderes…) são todos esses que têm feito deste País aquilo em que ele se tornou – um alvo fácil para abandonar à sorte dos mercados, ou seja, dos escondidos vilões e agiotas encartados, protegidos por doutrinas e leis que põem em causa a própria existência de um País soberano.

Podemos votar, mas quem manda cá são os mercados, ou seja, gente sem rosto, que durante anos encorajou o zé-povinho a comprar, comprar, comprar… endividar-se, endividar-se, endividar-se… até à exaustão do sistema, e agora somos nós a aguentar a dívida monstra, anos a fio vamos tê-la pela frente. Ah, e não se esqueça, já nos avisaram que nunca mais se voltará ao tal “esbanjamento”.

Muito está ainda por saber. Mas o que já sabemos é que estamos nas mãos desta gente, e que também estamos nas mãos dos credores internacionais, quer dizer, de uns indivíduos e seus grupos de interesses que manipulam a seu jeito e depois arranjam formas de os zés-povinhos dos países mais frágeis terem que pagar, até ao seu empobrecimento em amplos aspectos da sua vida – todos ou quase todos – os tais “desmandos” para que haviam sido entusiasmados.

Há MUITOS MESES escrevi por aqui que precisávamos, URGENTEMENTE, de uma nova, diferente, afirmativa assunção de cidadania política de cada vez mais seres viventes neste país, de modo a que não continuássemos a ser arregimentados para situações em que, tanto partidos, como governantes, autarcas, caciques locais… como influenciadores de opinião pública, nos encaminhassem para políticas criminosas, de becos sem saída, de falsas soluções para o nosso futuro próximo.

Basta lembrar o que Cavaco andou a defender: autoestradas e mais autoestradas, corte e abate de vinhas e outras culturas, abate da frota pesqueira, transformar o país numa zona de serviços… que seríamos a Califórnia da Europa. Mas como ele, dezenas e dezenas de arautos da facilidade, afinal políticos sem préstimo, a não ser com sentido no interesse particular ou de grupo e no negócio e no argumento de ocasião, para vencer eleições e perpetuar ou reconquistar o poder, pelo poder. 

2012. Ano horrível? Sim, será, decerto, mas não será o único: será antes o primeiro de um continuum que não sabemos onde irá parar e como. Por culpa de quem tem tido o poder, de quem fez cursos superiores e, sobretudo, se esperava que tivesse capacidades para imaginar, perspectivar, planear e realizar investimentos, públicos e privados, que dessem um sentido ao País, que não fosse este de caír no abismo, na banca-rota, na chacota internacional.

Culpa de políticos, sobretudo dos dirigentes dos partidos – do chamado arco do poder (PS, PSD, CDS) – que não aprenderam nada, depois que se viram com o brinquedo PORTUGAL nas mãos. São uns incapazes, uns garotos, uns submissos, sem chama, sem nível, sem alma. Não servem nem para gerir uma empresa, quanto mais para gerir um País.

Culpa de muitos dirigentes, a diversos níveis, da administração pública central e local, que se orientaram muito mais para serem correias de transmissão de partidos e de grupos de pressão partidários, em vez de cuidarem da coisa pública, do bem comum, do interesse do cidadão, com uma acção independente, assente na justiça e não nos favorecimentos, nos truqes, nas falcatruas, nas cunhas…

Culpa de empresários, sem qualidade, sem formação, sem interesse pelo País senão enquanto chavão para enganar tolos, para manipular e arregimentar seguidores. Culpa de empresários e negociantes sem escrúpulos que, em conluio com dirigentes políticos centrais e locais, muitas vezes mais não fizeram do que transferir bens rústicos, urbanos e capitais para os seus cofres e património privados, defraudando o erário público.

É claro, culpa da massa anónima, generalizada, da população, que confiou até ao indizível em quem elegia: para Belém, para o governo, para a autarquia, para… Ou seja, a grande maioria, os sem-poder, afinal os mais fracos de entre todos, têm a culpa de não terem sabido dizer ALTO AÍ! BASTA! e de não terem agido em consequência, contudo não seriam esses, nós, os sem-poder formal e poltíco-financeiro, afinal a grande maioria, a poder alterar, inverter, o rumo dos acontecimentos. Porém, é essa grande maioria anónima que está já a suportar a canga do défice, da dívida, da afronta do esbanjamento, do “viver acima das posses”, que os tratantes com poder, de todos os matizes, vêm agora dizer que “não podia continuar”… 

2012. Cá estamos, à espera que ele chegue. Pela primeira vez na minha vida, como certamente na vida de muitos portugueses, o ANO NOVO surge com um  manto de espesso nevoeiro, que não é atmosférico, mas sim um espesso negrume que se espalha nas nossas vidas, sobretudo na vida dos mais frágeis e desprotegidos. Parece nada de bom se divisar neste horizonte breve de um ano, e o mesmo se espera dos anos que se seguem. Coragem, sabedoria, solidariedade concreta, são palavras-força que, por mim, tentarei levar por diante. Mas, ainda mais, a assunção de uma atitude cívica activa, uma atitude política enquanto cidadão que não pode ficar indiferente perante os caminhos que o nosso País está a levar. 

Aos que me acompanharam no ano de 2011, um obrigado, e um desejo de muita sáude. Cá estamos. Para continuar!

Manuel

Autor: 60emais

Português.

Um pensamento em “2012 – O PRIMEIRO DE MUITOS ANOS HORRÍVEIS”

  1. Companheiro

    Além da concordância total com o que escreveste e de sentir a mesma indignação com o rumo que o nosso país levou, quero apenas acrescentar o seguinte:
    Penso que chegou o momento de “os mais fracos, a grande maioria” mostrarem que afinal são a força maior enquanto colectivo e que a mudança – que urge – é uma obrigação sua, e que só pela sua própria vontade poderão acabar com o neo-feudalismo que nos impuseram.
    A minha cabeça ainda está cheia dos ideais revolucionários do século passado e não conheço outros, por isso não tenho outras soluções (nem sei se alguém as terá) para esta situação actual.
    Assim, ingenuamente, pergunto: Porque não tentar algo já conhecido?

    Abraços

    Reinaldo

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