CRÓNICAS DO VALE DE SANTARÉM – CONVÍVIO VAI SER NO DIA 30 E… ENCONTRÁMOS O ISAAC!

Por motivos diversos, foi necessário passar o Encontro-Convívio dos ValeSantarenos (será correcto dizer deste modo?… se estivesse cá o professor Costa ele nos diria, naquele seu jeito sério de nos fazer aprender…) ia eu a dizer… ah, dos ValeSantarenos nascidos no ano de 1946. E então, estudadas as datas mais favoráveis, apontou-se para o DIA 30 DE OUTUBRO. 

O programa, cujos momentos principais já foram revelados, será divulgado em breve. Já temos 20 inscrições, nas quais se incluem, para além das raparigas e rapazes de 65 anos, alguns acompanhantes.

Entretanto, fomos procurar o Isaac. A última referência sobre ele dizia-nos que teria vivido na Azambuja. Daí… fomos à Junta de Freguesia. Pediam-nos a morada, já que, pelo nome, não nos sabiam indicar. Porém, uma das senhoras lembrava-se daquele nome. Talvez lhe possam dizer alguma coisa ali naquele largo em frente do centro social, sabe onde é?… adiantava a senhora.

Lá fui, com as indicações que me deu. Estavam três homens à conversa, no largo. Disse-lhes ao que ia. Eles a puxaram pela memória, até que um deles pergunta aos outros: mas esse não é o Isaac da Tertúlia?… Esse nome… humm, só temos cá um, tem que ser ele… tem que ser ele, se é quem eu estou a pensar. Nisto, mostro-lhes a foto da 2ª classe, e os outros: sim, sim, é ele mesmo, é ele pois então?!… Olhe, esta casa aqui, por cima da mercearia, era aqui que ele vivia, mas agora está… em Almada… se calhar o homem da mercearia até lhe pode dizer alguma coisa…

Agradeci. Fui à mercearia. Duas mulheres a serem atendidas, uma delas a queixar-se da carestia que aí vem, ela a olhar a outra enquanto dizia tal coisa, a outra a falar em crise, até que o senhor achou que estava ali alguém que… não era dali. Disse-lhe quem procurava, puxei da foto, apontei para a imagem do Isaac na segunda classe, e ele, de imediato, olhe, esteve aí na semana passada, houve as festas e ele tem a tertúlia… é mesmo a Tertúlia do Isaac… um sorriso… pois, pois, mas ele não está cá, só de vez em quando, uma sobrinha é que vive na casa dele, é aqui por cima, mesmo aqui por cima…

Estávamos naquela de não termos solução de imediato para o caso, quando o senhor começa a contar de quando ele e outros da mesma idade haviam tomado iniciativa semelhante e de como fora difícil encontrar alguns, porém o facto mais relevante foi terem conseguido encontrar a professora, que compareceu no encontro, apesar dos seus oitenta e tal anos…

E a sobrinha, a que horas vem?… E se eu deixar o meu número de telefone e as fotografias, para que a sobrinha do Isaac o informe?… gostávamos muito de o ter no nosso convívio… isto era eu a tentar parar as lágrimas que o merceeiro estava quase a deixar caír, a emoção toda ali, nos olhos, a brilharem, ele a lembrar-se da professora, dos colegas, do dia que viveram…

O senhor foi buscar uma folha, onde guardou com todo o cuidado as duas fotos. De seguida, deu-me outro papel para escerever os meus contactos e disse-me: esteja descansado, logo entrego à sobrinha. Despedi-me, com um bem merecido muito obrigado.

No dia seguinte chega uma chamada telefónica. É o Isaac. Depois das palavras iniciais, do contentamento pelo reencontro – 56 anos depois, uma vida – a sensação de que aquele modo de falar, o ritmo, a vivacidade, o timbre, as palavras pronunciadas com energia, até lhe estava a ver as veias do pescoço um tudo-nada sobressaídas… era mesmo o Isaac, com o seu olhar vivo, intenso… será que ainda tem aquele redemoinho no cabelo, exactamente à frente, como um leque, junto à testa, um pouco descaído para a direita?… ou o tempo baralhou-me as memórias e não era nada assim?…

A conversa foi um tempinho. Além do contentamento, serviu para dar algumas informações. E agora… será que o Isaac vai poder estar no nosso convívio, como tanto desejamos? Uma coisa é certa: já sabemos do seu paradeiro. Daqui por diante os contactos estão facilitados.

Quanto às raparigas e rapazes de que nada sabemos, estamos a continuar a procura. Pode ser que, com esta alteração de data, se consiga chegar a alguns deles. Oxalá!  

MJSá

Foto da minha 2ªclasse, onde estão também os da 1ª classe - ano lectivo 1954/55

Autor: 60emais

Português.

Um pensamento em “CRÓNICAS DO VALE DE SANTARÉM – CONVÍVIO VAI SER NO DIA 30 E… ENCONTRÁMOS O ISAAC!”

  1. Meui caro Migo: Não têm conta as vezes, que durante mais de meio século passei em frente da escola, na qual um dia entrei muito envergonhado, mas muito curioso, por aquela nova experiència. Mas confesso que este teu artigo, e aquelas fotografias, despertaram em mim um sentimento de profunda saúdade, foi como fazer uma viagem ao contrário, saindo da meta, em direcção do local da partida. Quantas recordações revivi ao ler a tua crónica, as peripécias vividas em comum numa turma, em que a diferença de idades, e de tamanho, eram grandes, vendo hoje as fotografias da terceira, e quarta classes, um Celestino, um João Ferreira, um Jota Mendes, ou um António Fastudo, dava a sensação de que eram mais os professores, de que os alunos.
    Gostei francamente, do que li, e do que vi, saudades, ai que saudades, dos tempos em que sem o famoso Magalhães, eramos felizes com uma simples ardósia, e uma sebenta.
    Um abraço. MJAAzenha

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