CRÓNICAS DO VALE DE SANTARÉM – APLAUSO À PRESIDENTE DA JUNTA

SOBRE O QUE TENHO VINDO A PUBLICAR A PROPÓSITO DO PINHEIRO DAS AREIAS, RECORRO AO QUE DIZ O CORREIO DO RIBATEJO, NA SUA EDIÇÃO DE 25 DE MARÇO DE 2011, COM A DEVIDA VÉNIA, PARA DIZER: 

O Pinheiro das Areias, no Vale de Santarém, com mais de 200 anos, é uma das duas árvores classificadas do concelho de Santarém. Trata-se do pinheiro manso com maior perímetro de base medido em Portugal (perto de oito metros) que, sem outros pinheiros à sua volta, atingiu uma envergadura enorme, com um tronco que é, pelo que se conhece, único em Portugal. A copa do pinheiro é um espanto, embora hoje atinja dimensões menores, por já lhe terem sido cortadas algumas pernadas.

A pretexto do Dia da Árvore – 21 de Março – o jornal Correio do Ribatejo foi conhecer de perto o Pinheiro das Areias, concluindo aparentar boa saúde, apesar da sua provecta idade. No entanto, a erosão do terreno ameaça o Pinheiro das Areias, problema que se arrasta há vários anos, sem fim à vista. A Câmara prepara-se para salvaguardar a árvore e promete, dentro de meses, cortar o mal pela raiz.

Diz o Correio do Ribatejo que, “consideradas património de elevadíssimo valor ecológico, paisagístico, cultural e histórico” as árvores de Interesse Público têm um estatuto de protecção idêntico ao do património edificado classificado. Beneficiam de uma zona de protecção de 50 metros em redor da sua base, sendo qualquer intervenção na área envolvente ou nelas próprias, condicionada a parecer da ANF. “Toda a árvore de interesse público não poderá ser cortada ou desramada sem autorização prévia da Autoridade Florestal Nacional, sendo todos os trabalhos efectuados sob sua orientação técnica”, segundo se lê na página online da AFN.

Erosão do terreno ameaça Pinheiro das Areias

Continuando a recorrer ao Correio do Ribatejo:

O Pinheiro das Areias, que está classificado de Interesse Público desde 21 de Maio de 1992 (nome científico: Pinus pinea L) está ameaçado pela erosão do terreno. A chuva tem provocado o escorregamento das areias, tornando por vezes a estrada intransitável e colocando a nu as raízes do pinheiro, parte delas suspensas no morro, sem qualquer sustentação.

Do local, designado por Alto do Pinheiro, avista-se uma paisagem inspiradora sobre o Vale de Santarém. Contudo, bem perto, encontra-se um aglomerado de barracas, habitadas por várias famílias de etnia cigana. Estas garantem que respeitam a árvore, mas, ali, a questão ambiental cruza-se dramaticamente com o grave problema social. As pessoas esperam mudar-se para bairros municipais, segundo nos disse Maria da Conceição, uma das moradoras. “Já pedimos casa à Câmara. Até já falámos com o Moita Flores, que é o presidente. Ninguém nos dá emprego por sermos ciganos”, queixa-se, acrescentando que vive do Rendimento de Inserção Social.

“Tenho 54 anos, estou aqui há 30 e foi aqui que criei a minha filha que já tem 20 anos. Não temos água, nem luz, nem casa de banho. Chove dentro das casas, entra frio, entram os ratos e toda a bicharada. O meu marido já apanhou duas cobras e uma pneumonia. Quando faz vento, encolhemo-nos com medo porque isto abana tudo”, diz apontando para as débeis paredes que lhe servem de abrigo.

O que diz o proprietário do terreno

Tanto ou mais impaciente com o arrastar desta situação está o proprietário do terreno, António Lopes, que até já recorreu ao tribunal, mas não conseguiu a retirada das barracas. “Já contactei todas as entidades possíveis, mas ninguém resolveu a situação. Estou completamente desiludido”, disse ao Correio do Ribatejo.

António Lopes recorda que, certa vez, alertou o Ministério do Ambiente para a degradação do local, face à desregrada ocupação humana e suas consequências na vitalidade do pinheiro. “Parece anedota, mas recebi como resposta uma carta a impor-me um prazo para limpar o espaço, sob risco de ser autuado se não o fizesse. O que me valeu foi o apoio da Junta de Freguesia que me ajudou na acção de limpeza”, lembra.

Câmara estuda solução

Ilda Lanceiro, presidente da Junta de Freguesia, lamenta a situação. Anseia pela valorização do local e sua transformação numa zona de passeio e fruição da natureza. Nas assembleias municipais, tem insistido na necessidade de requalificar o Alto do Pinheiro.

O proprietário do terreno também está interessado na salvaguarda e melhoramento do espaço. “Já propus várias vezes doar o terreno, mediante certas contrapartidas, para ali ser criada uma zona verde e de lazer, mas já estou cansado de esperar. Nem sequer foi colocada uma simples placa informativa junto à árvore”, critica.

Ricardo Gonçalves, vereador com o pelouro das Freguesias, contactado pelo Correio do Ribatejo, assegura que o assunto não está esquecido. Encontra-se já concluído o estudo para a drenagem do terreno e, em breve, estará terminado o projecto respeitante ao muro de sustentação das terras, pelo que, dentro de alguns meses, será possível avançar com a obra, segundo informou o vereador.

O FUTURO DO PINHEIRO DAS AREIAS

A presidente da Junta tem razão, assim como o proprietário do terreno. É preciso encontrar um caminho para salvar aquela fantástica árvore, dando ao espaço em sua volta o que, afinal, a lei acaba por consagrar. Além disso, se o espaço proporcionar mais um local de encontro para as pessoas da vila e de todos os que queiram conhecer aquela maravilha da natureza, tanto melhor.

Por isso, a Junta de Freguesia, na pessoa da sua presidente, merece parabéns pela atitude que está a tomar sobre o assunto. E que vá em frente! é isso que importa. Até porque o pinheiro, sendo um produto da natureza que o Vale tem, já ultrapassou essa dimensão local, pela sua raridade e beleza, sendo assim mais uma vantagem para a terra a quem Garrett, nas Viagens da Minha Terra, chamou com toda a propriedade de “pátria de rouxinois”. E eles, os rouxinois, ainda continuam a encantar as gentes do Vale. Agora o que se deseja é que o pinheiro continue, com saúde e novos tratos, a sua já longa e digna existência! Oxalá!…

Manuel

Autor: 60emais

Português.

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