RIO MAIOR – UM RIO QUE CLAMA POR ATENÇÃO

Escrevi que o Rio Maior é um rio a caminho da morte. Isto se não forem tomadas medidas. Medidas que implicam, primeiro, uma avaliação concreta das situações de poluição. Situações que têm uma origem, que é, da parte de algumas entidades e pessoas, a canalização para o leito do rio, ao longo do seu curso, de diversos produtos nocivos, provenientes de indústrias, explorações agro-pecuárias e outras.

O Rio Maior atravessa diversos concelhos. Desde logo, o de Rio Maior, cidade que fica mais próxima da nascente. Depois, o concelho de Santarém, seguindo-se o de Cartaxo e, por fim, o de Azambuja. Se tivermos em conta as freguesias, são pelo menos as seguintes: São João da Ribeira, Almoster, Póvoa da Isenta, Vale de Santarém, Vila Chã de Ourique e Valada.

Consciente da importância das autarquias, para a promoção de um Portugal mais preparado para enfrentar a poluição que teima em se instalar em diversos pontos do nosso território, enviei às Câmaras e Juntas atrás referidas o texto do post que aqui editei, com o título com que iniciei, ou seja, RIO MAIOR – UM RIO A CAMINHO DA MORTE. Este post foi editado em 30 de Dezembro de 2009.

Não obtive, até agora, qualquer comentário, pedido de esclarecimento ou agradecimento relacionado com o conteúdo do que escrevi. Duma coisa estou certo: o rio encontra-se poluído já há muitos anos e, infelizmente, são pouquíssimas as referências a tal situação – encontrei apenas um blog (Memórias de Rio Maior, editado por Jorge Colaço) que, em Junho de 2007, também deu conta de preocupações quanto ao assunto. E ainda bem que o fez.

Hoje, pesquisando mais sobre o Rio Maior, fui dar ao Editboard.com, que traz o seguinte, em 25 de Outubro 2007.

DESCOBERTA NOVA ESPÉCIE DE PEIXE EM AFLUENTES DO TEJO

Certa vez, Hugo Gante e Carlos Santos, colegas no último ano do curso de Biologia da Faculdade de Ciências de Lisboa, foram pescar para o Trancão já despoluído, para ver que peixes já se tinham arriscado a regressar ao rio.   

O peixinho que apanharam, no final de 1998, parecia tão diferente de outros que o entregaram ao Museu de História Natural de Lisboa. Ficou lá estes anos todos num frasco com álcool, até que Hugo Gante voltou a cruzar-se com a sua pescaria e a olhá-la com olhos de biólogo. Afinal, tinham descoberto uma espécie nova.

Hugo Gante tem agora 29 anos e trabalha no Museu de História Natural de Lisboa com Maria Judite Alves, orientadora da sua tese de doutoramento. Quanto a Carlos Santos, de 30 anos, também está a doutorar-se, na Faculdade de Ciências de Lisboa.

Só no ano passado Hugo Gante tirou o peixinho do esquecimento: “Fiz umas análises genéticas às amostras que tínhamos pescado, com linha e anzol, como fazem as populações locais, e confirmámos a sua diferença.”

Foram novamente para as ribeiras e rios afluentes do Tejo, à procura de mais peixes iguais. Só os encontraram em dois pontos, já perto de Lisboa: no Trancão e na bacia do rio Maior. Mas as análises genéticas e as comparações morfológicas com outros peixes, do género Chondrostoma, permitiram concluir que é mesmo uma espécie nova.

In Público

Pelas razões que tenho vindo a evidenciar, o Rio Maior pede toda a atenção dos poderes autárquicos – as Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia que estão no seu curso.

Além disso, pede a atenção (obrigatória) e a intervenção prática das entidades que controlam e fiscalizam a qualidade das águas dos rios em Portugal. Neste sentido, aliás, a Quercus, fez recentemente um importante alerta sobre o assunto, chamando a atenção para a situação grave que se passa no nosso país neste domínio.

O Rio Maior pede, finalmente, a atenção dos cidadãos das vilas, aldeias e lugares por onde passa, independentemente daquilo que compete às autarquais em que estão incluídos. Esperar que as autarquias tomem medidas, é compreensível. Desejar que as tomem, é melhor – é a sua obrigação. Mas, ficar de braços cruzados, isso não! Deixar poluir um rio é um retrocesso. Importa lutar contra essa prática criminosa, que prejudica a saúde, a vida das pessoas e destroi a natureza. Um bem de todos. Que merece o respeito e a atenção permanente de todos.

Manuel

Autor: 60emais

Português.

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