2010 – SÓ PODE SER MELHOR!…

Por cá, cheira ainda a fogo de artifício em alguns pontos do país. Por cá e também nos países por onde, antes, já a meia-noite passou Estamos, portanto, no 1º dia. No relógio do meu computador está 00:36, passou agora, exactamente, para as 00:37. 

2010. Que ano será este? Só pode ser melhor, dizem todos. Os que, neste início de ano estão nas ruas. Os que falam nas rádios, na televisão. Os que hoje escreveram nos jornais. Os que mais logo vamos ler e ouvir por todo o lado. Que seja melhor, estas são as palavras. Percebe-se porquê.

2009. O ano em que não houve grandes catástrofes naturais. Em que a natureza “se portou” razoavelmente. Mas… 2009, foi uma catástrofe. Semeada. Anunciada. Autorizada. Imparável. Até ao estrondo. Quase até ao colapso geral. Esteve a milésimos do desastre universal.  

Tudo porque os homens e mulheres que têm poder e influência criaram e/ou autorizaram modos de desregular tudo, de se furtarem aos controlos necessários. Em proveito próprio. Controlos já de si insuficientes. Falíveis. Dispensados. Combatidos. Banidos. Porque considerados travões. Porque tidos como obstáculos ao desenvolvimento. À criatividade. À rapidez necessária, dizia-se, nos fluxos de capitais. Aos grandes interesses obscuros, a coberto de paraísos fantasmas – que continuam. Às complexas e vertiginosas engenharias matemático-financeiras. Negócios do outro mundo. Agora mandados para o outro mundo. Enfim… O mundo já vira um filme parecido, mas… 

2010. Um ano de muita esperança. De que, pelo menos, não se volte atrás na condenação do que aconteceu. E que não se continue a fazer e autorizar o que se fez. Embora a factura seja muito pesada. Embora continuem instaladas muitas das práticas condenadas. Embora tudo vá levar muito tempo a sarar. E será que vai sarar?

A minha filha acaba de mandar-me um sms. Diz ela: 2010 é um número redondinho, há-de ser bom. Se cá estivesse o meu pai também diria que seria bom. Com outros argumentos. Ele jogava quase todas as semanas na lotaria. Escolhia números com algarismos repetidos. E também números com zeros no meio. A estes chamava números furados. Dizia que eram esses dois tipos de números os que lhe davam mais sorte. Os que tinham números repetidos e os que tinham zeros no meio. Ora, 2010, cumpre as duas condições da provável sorte. Isto diria o meu pai, se ainda cá estivesse. Ele que, diversas vezes, foi sortudo na lotaria.

Pode ser filha. Pode ser pai. Sim, 2010 pode ser melhor. Só pode… Mas, tirando o que não podemos controlar – a natureza – ser um ano melhor está nas mãos dos homens e mulheres que habitam aqui. Na terra. Eu, que só entendo o governo ou destino da terra pela acção dos homens e mulheres, estou bem certo de que só pelos homens e mulheres se poderá fazer sair esta grande nau do lamaçal em que, certos homens e mulheres a lançaram. E outros deixaram que tal acontecesse.

Só pode ser melhor. Pior, não é impossível. Mas que diabo… já aprendemos um pouco, não é?!…

Então… bora lá, tá?

Manuel

Autor: 60emais

Português.

3 opiniões sobre “2010 – SÓ PODE SER MELHOR!…”

  1. Estou a ler este texto e a ouvir o amola-tesouras a passar na minha rua. É um som que me é familiar e que me devolve à infância; quando eu era criança o amola-tesouras passava no Outono. Dizia-se até que quando ele passava era prenúncio de chuva.
    Isto era quando havia estações do ano, quando as chuvas vinham na altura e na medida próprias, quando os antigos olhavam o céu e regulavam os trabalhos agrícolas pelo tempo que eles tão bem sabiam prever…
    Isto era antes do homem estar dotado de tanto conhecimento que o prepara para as melhores e maiores conquistas, mas também para o pior.

  2. O amola-tesouras… também por vezes passa um por aqui, pela minha praceta. O que também me faz regressar a esses tempos. Escrevi, até, sobre isso.Curioso como uma ocupação (ou, ainda, profissão?) tão antiga subsiste neste tempo de tanto conhecimento e avanço tecnológico. É verdade?!…
    Pode ser bom prenúncio, para 2010.
    Obrigado.
    E votos de muito bom Ano Novo!
    Manuel

  3. Nome de profissão ainda é, ocupação seguramente que será pouca. Eles também consertavam guarda-chuvas, lembras-te? Mas, com o advento da era chinesa, quem manda amolar tesouras ou colocar varetas em sombrinhas? Os clientes de hoje, talvez sejam os talhos, que têm equipamentos de duração longa.
    Devem ser residuais os que existem e já só servem para alimentar a nossa memória e porventura lembrar-nos como somos antigos…
    Mas eu alimento-me de memórias: de sons, de cheiros, de sabores, até de expressões… e o meu Alentejo é ou era muito rico nesse aspecto. Durante muito tempo fui guardando um caderninho onde anotava expressões alentejanas, algumas de que não sei o significado. Mas numa das cambalhotas da minha vida, perdi-o e não o recuperei.

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