RIO MAIOR – UM RIO A CAMINHO DA MORTE

A PROPÓSITO DO ALERTA DA QUERCUS, SOBRE A QUALIDADE DAS ÁGUAS DOS RIOS EM PORTUGAL

Foi no rio Maior, que passa pela minha terra – o Vale de Santarém – que eu aprendi a nadar. Foi no Rio Maior que eu me iniciei na pesca e foi também, nas suas margens, que eu vivi bonitos tempos de criança e adolescente, em sãs convivências e brincadeiras próprias dessas idades. Portanto, tenho muitas memórias ligadas a esses tempos, nesse rio. Eu e muitas pessoas da minha terra. Nós e, decerto, muitos outros, de outras terras por onde o rio passa.

O rio Maior é um dos afluentes da margem direita do rio Tejo, sendo o penúltimo, antes do Trancão, nessa margem. Nasce próximo de Alcobertas, uma interessante freguesia do concelho de Rio Maior, cidade que ostenta exactamente o nome do rio.

Há dois séculos, mais ou menos, o curso do rio foi alterado, porque era necessário pô-lo a correr mais afastado do Tejo, para diminuir o impacto das inundações. Para isso, foi construída uma vala, para onde foi drenado o rio Maior, em certo ponto do seu curso, até à sua foz, no Tejo. Um pouco antes de chegar ao Vale de Santarém, o rio então passou a ter o curso mais junto à linha de caminho-de-ferro Lisboa-Porto. Vai desaguar nas proximidades de Azambuja.

O rio esteve durante muitos anos imune, como muitos outros, aos efeitos da industrialização e outros desmandos. No tempo dos arrozais, sentia-se que as águas tinham algumas manifestações (ácidas?) por causa dos fertilizantes ou dos químicos das mondas. Mas não era de tal modo que afastasse os peixes, durante todo o ano. Isso era o sinal de que as águas continuavam em estado razoável, pelo menos, mesmo nesses períodos.

Porém, há anos que não é assim. Com o vazamento, para o rio, de detritos de fábricas e explorações agro-pecuárias, em algumas freguesias próximas do leite do rio, tudo mudou. Agora somente no inverno, quando os caudais sobem, os peixes se atrevem a andar por ali. Assim, as águas putrefactas é coisa que acontece, obviamente, durante muito tempo, no ano. Quer dizer, há poluição evidente no rio

Fiz mais do que uma vez, nos anos mais recentes, algumas caminhadas ao longo das margens do rio. Cheira mal, o rio. Não tem vida. Não se vêem peixes a saltar, como antigamente. A água é bem escura. E vêem-se resíduos sólidos. São bem visíveis, para quem passa na Ponte de Asseca – na estrada entre o Vale e Santarém – e na Ponte do Vale, que se dirige para o campo, a caminho de Porto de Muge.

Tenho falado com pessoas da terra sobre o assunto. Dizem-me: o rio está poluído. Tudo, porque serve de vazadouro. E as pessoas sabem onde está a maior parte desses pontos de vazadouro.

As freguesias por onde o rio passa (São João da Ribeira, Ribeira de São João… Vale de Santarém, pelo menos estas) deviam ter uma intervenção em defesa do rio. O rio Maior faz parte da vida dessas populações há muitos anos. Do ponto de vista histórico e por muitas outras razões, a principal das quais é a da utilidade.

As Juntas de Freguesia podiam tomar iniciativas diversas para defenderem um património que é de todos – dos que vivem nas margens e dos portugueses todos. Trata-se de uma riqueza natural que está a ser destruída e que se insere no recente alerta da Quercus, quando diz que as águas de muitos rios estão extremamente poluídas e inadequadas para a maioria dos usos.

Esse papel de denúncia da situação e, também, da procura de medidas para a ultrapassar, cabe também às câmaras de Rio Maior, Santarém, Cartaxo e Azambuja, uma vez que o rio atravessa estes concelhos, pelo menos. Contudo, que eu saiba, nunca a situação do rio Maior terá sido objecto de qualquer referência a este propósito. Se foi, manifesto ignorância sobre o assunto. De facto, o rio já está assim há tantos anos que seria normal já ter sido mencionado como poluído. E, por consequência, deveriam ter sido desencadeadas acções no sentido de combater a situação.

Por mim, estou disposto a tomar parte em iniciativas que ajudem a limpar da poluição… o rio da minha aldeia. Para bem das regiões por onde corre. Para bem dos habitantes dessas regiões. E não só. Os portugueses têm o direito, e o dever, de proteger os seus rios. De quererem que as suas águas não estejam poluídas. Assim seja!

Esta é uma primeira iniciativa, da minha parte. Quanto ao rio Maior.

Manuel

Autor: 60emais

Português.

Um pensamento em “RIO MAIOR – UM RIO A CAMINHO DA MORTE”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.